Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

28
Mar 20

O tempo que passa,

Desassossega o desespero,

Finto a vaidade,

Perco o emprego,

Vagueio na distância,

Ilumino-me,

E, perco-me no cansaço dia.

Tenho pena,

Daqueles que por lá passaram,

E, desavergonhadamente,

Lá continuam,

Esperando as pedras que caiem do silêncio,

Aos poucos,

Em cio,

Os pássaros loucos,

No desvaneio da solidão.

O tempo passa,

A fome aperta,

Neste desespero acontecimento,

Dos novos marinheiros,

Entre sexos e chapas de zinco,

O rio, comem-me,

Quando a maré se abraça ao cansaço.

Todas as vezes, algumas, o tempo passa,

O mar envaidece-se de sonolências madrugadas,

Calcárias manhãs de Primavera,

Ao deitar,

Sobre o travesseiro da insónia,

Esqueço-me de acordar,

Tomo café, todos os dias,

E, vejo no jornal, a minha foto,

Necrologia,

Perdidos e achados,

Despeço-me,

Até logo,

Abraços.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

28/03/2020

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:26

14
Fev 20

Uma rosa,

Rosa,

Rosa,

No teu corpo,

Corpo,

Corpo, rosa.

Um sorriso,

Riso,

Palavras,

Lavra,

No poema,

Ema,

Riso,

Rosa,

Cama.

Um silêncio,

Lêncio,

Algures na madrugada,

Ugada,

Ada…

Uma pedra,

Pedra,

Nas palavras,

Lavras,

Quando acorda a noite,

Noite,

Oite…

Uma rosa,

Rosa,

No amor,

Rosa,

Mor,

Flor,

Lor,

Dor.

Uma pirâmide de giz,

Na ardósia nocturna da serpente,

Mente,

Ente.

Do ponto,

Onto,

Nada.

Nada, de mim.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

14/02/2020

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:42

02
Fev 20

E, agora? O que será de nós depois da saudade;

Pertenciam-lhe as palavras invisíveis das marés de prata.

A boca mergulhava na ínfima madrugada do silêncio,

Descia à cidade, quando acordava a noite,

Pegava num pedaço de sombra,

Agachava-se no pavimento húmido da solidão…

E, gritava palavras de amor.

E, agora? Que a tempestade regressou de ontem,

Traz consigo os dois cansados cadáveres da única memória que lhe restava,

Os homens entre guerras e coisas simples, banais,

Percorriam as ruelas sem saída, suspendiam pinturas nas janelas do horror,

Para que as crianças conseguissem adormecer,

Nesta cidade de “merda”, sem dormitórios, sem palavras abstractas,

Que pertencem aos livros de poesia.

O corpo arrefece sobre a lápide fria da manhã,

O silêncio vem em direcção ao peito,

Como uma flecha, e, o sangue corre para os canaviais…

Tinha medo da saudade,

E, agora?

O que será de nós, depois da saudade, quando alguém procura o corpo amachucado pela violência dos gritos do homem de chapéu negro,

Seu nome Chapelhudo, vestido de pássaro nocturno,

Quando as palavras emergem e, tudo à volta morre, extingue-se em finíssimos pedaços de carvão,

O desenho acorda,

Mergulha na tela da saudade,

Sempre ela, a saudade dos dias, da noite, dos candeeiros a petróleo…

E, agora? Nada.

Apenas um sorriso,

Flácido,

Triste,

Porque sim;

Cansado da vida.

Chapelhudo, morre. E todas as palavras do menino branco.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

02/02/2020

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:04

15
Jan 20

Não me digas as palavras que eu te prometi.

Ontem, reinava o silêncio, no interior do teu abraço,

As flores, cansadas de dormir, acordaram com o teu sorriso,

Dilacerado nas manhãs de Sábado.

Não gosto dos Sábados, meu amor.

Fico estúpido, burro,

Durmo na despedida do Adeus,

Às vezes, esqueço-me de almoçar,

Lanchar,

Ou… jantar,

Coisa pouca,

Ninguém morre por não comer.

Não me digas as palavras que eu te prometi,

Porque este livro em solidão,

Assusta-se com a minha voz,

Foge de mim,

Como um mendigo,

Ou… sem-abrigo.

Não,

Não me digas,

As palavras,

Em voz alta,

As palavras que eu te prometi,

E mesmo assim, hoje, escrevo-as no teu olhar.

Sinto-me cansado dos dias,

Das noites,

Sem dormir,

Vagueando num corredor escuro,

Sombrio,

Que me traz à lembrança, a morte.

Essa mesmo,

O final do dia,

O eterno desgosto,

Que abraçam os livros de poesia.

Oiço-te,

Lá longe,

Nas páginas esquecidas da sonolência das palavras,

E mesmo assim,

Grito,

Sufoco com os gritos das pedras,

Também elas, tristes, gastas, e, cansadas.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

15/01/2020

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:47

03
Jan 20

Gosto,

Do teu perfume impregnado nas palavras do poema,

Quando o mar me chama,

Quando a maré me leva.

Gosto,

Do silêncio teu corpo,

Em delírio,

Dentro de uma cabana.

Gosto,

Dos livros que leio,

Das mãos que me acariciam,

E a madrugada ainda vem longe.

Gosto,

Do apito do petroleiro,

Fundeado nos teus seios,

Derramando gotículas de saliva…

Gosto,

E adoro,

Do significado transparente da tua sombra,

Quando o mar está bravo,

Quando o mar se veste de tempestade…

E morre com a saudade.

Gosto,

Da solidão das tuas mãos,

Porque, meu amor,

Gostar,

Pertence aos poetas,

Escritores,

Pintores…

Gosto,

De todos aqueles que amam,

Sofrem…

E sorriem,

Em frente ao espelho do cansaço.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

3/01/2020

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:04

15
Dez 19

Sem Título.jpg

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:13

08
Dez 19

Longe vai o tempo

Em que eu adormecia acordado

No silêncio da escuridão.

E de madrugada

Quando o amanhecer acordava,

Sentia o vento

Na minha janela mal fechada,

O roncar do meu cão

Que não me deixava sonhar…

Adormecer,

E eu… sonhava,

Acreditava na alvorada sem luar,

Na chuva miudinha impressa num verso de fazer

Inveja ao silêncio dos teus olhos a chorar.

 

E longe vai o tempo

Em que sonhava sonhos de sonhar,

Como se fosse o movimento

Do pêndulo simples na minha mão a saltar.

 

E saltava!

 

Corria sem correr

Adormecia e acordava

E voltava a adormecer

No silêncio da alvorada.

 

Longe vai o tempo

Em que eu sonhava sonhos de sonhar,

E sonhava.

E tinha medo de acordar…

No teu pensamento,

Mulher do mar.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Para publicação

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:53

07
Dez 19

Não sei!

Não sei o que é adormecer,

Sorrir,

Sonhar,

Ou simplesmente viver.

Porque tu existes, e vais partir,

O Sol acordar,

Não sei que sei que chorei!

Ninguém quer saber,

Nem importa o que vamos fazer,

Se faz Sol ou está a chover,

Ou corremos sem correr…

És flor adormecida,

Muito bela e querida…,

Manhã submersa esquecida

Á procura da vida.

Pétala de ternura

Eterna brancura,

Olhar cansado com bravura,

Que se despedaça de grande altura…

Não sei!

Não sei o que é voar,

Viver,

O que são electrões,

Pensamentos metalúrgicos ao acordar,

Treliças que quero esquecer.

Fundem-se protões,

E de tanto te olhar…, me cansei!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Para publicação

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:38

06
Dez 19

Francisco Luís Fontinha

 

Lisboa, 87/88

Alijó / S. Pedro do Sul – Carvalhais, 89

Parte I

Pensamentos de um homem morto

 1

Hoje pude olhar o nascer do sol!

Seus raios são luz que iluminam a esperança,

Não de viver, mas de sonhar.

Tudo o que me rodeia, acorda de um sonho adormecido,

A Primavera finalmente encontrou o renascer

De um amor incompreendido.

Tenho medo…, não de morrer, mas… de sonhar!

2

Estou só e todo o silêncio é pouco.

Entre estas paredes de quem sou prisioneiro,

Recordo-me dos mais loucos e distantes pensamentos,

As pedras que me escutam, olham o transformar

Da minha sombra na escuridão, e que é testemunha

Do meu processo de destruição…

O insignificante a que pertence o meu pensamento,

De nada compreende o meu passado…

3

Em cada segundo de silêncio, o meu pobre corpo

Descansa entre o sonho adormecido,

E todo o meu sofrimento é constante,

Vertical, horizontal, é dor,

E tu nunca compreendeste o que me espera,

Eles dizem-me que o fim está próximo,

Não da morte,

Mas de tudo aquilo que não compreendo…

4

As palavras,

Gritam-me constantemente o silêncio da morte.

A alegria que existe dentro de mim

Não é real, é apenas uma vontade sem vontade

De viver um futuro denegrido, hipotecado ao diabo.

A tua sombra faz com que o meu caminho

Seja projectado num passado distante da minha verdade,

E o teu futuro encalha no meu presente.

Ao longe, olho a tua sombra, e o teu sorriso é lindo!

5

Adeus liberdade solitária!

Tu compreendes-me?

É essa a razão que faz o meu destino

Parecer e ser incompreendido.

Há momentos e não momentos que imagino a separação,

E outros, fico só e o meu corpo adormece.

Em breve vou morrer…, e então serei feliz!

6

Tudo parece impossível!

Viver, sonhar e amar…

Até adormecer é impossível.

Serei diferente?

Olho na luz que me ilumina, e duvido da sua presença,

E da minha existência.

Não compreendo a verdade,

E permaneço rebelde além da destruição…, fico contente.

7

A alma que chora no meu infinito,

Faz de mim solitário,

E o meu coração esconde-se no desconhecido.

No presente, não penso o futuro,

E..., momentaneamente esqueço o passado,

Mas tudo parece impossível…

Não me preocupo quem sou,

E gostava de saber quem serei mais tarde…

 

Parte II

O acordar de uma mulher

1

Vou caminhando rua acima

Fugindo do meu ideal,

Ao longe recordo o mar,

E compreendo não ser eu real.

 

Seu olhar olha-me constantemente

E recordo minha sombra,

E um dia…, se voltares a ser minha amante,

Certamente não serei feliz como a pomba.

 

Maldita escuridão!

Serei eu um sonhador?

E pergunto ao meu coração

A razão de tanta dor…

2

Estou perdido

Numa canção onde posso recordar-te,

E não imaginas o que tenho sofrido

Não ser eu capaz de amar-te.

 

Gostava de dizer-te alguma coisa…

E por minha culpa

O sol no horizonte pousa,

E transporta-me para tão grande luta.

 

Conquistei o teu sofrimento

Numa noite em Setembro,

Com os teus cabelos soltos no vento,

Que já esqueci e não me lembro.

3

As folhas caídas

Repousam eternamente neste lugar,

Olho ao longe, as árvores despidas

À espera de um novo luar.

Sozinho e triste

Caminho sobre casas ruídas,

Mas…, o meu amor não resiste

Às folhas caídas.

4

Alem recordo o teu rosto

Repartido pelos movimentos vividos,

Brilhante como Sol-Posto

Imagino horizontes denegridos…

Alem ouço a tua voz

Que me tira as forças para continuar;

E alguém chama por nós

Na razão de amar.

Alem recordo o teu sorriso

Tal como se tratasse de uma estrela cintilante,

Alguém perde o juízo,

E eu, eternamente,

Adormeço no mar…

5

As flores acordam ao amanhecer

Caminhando em distantes mágoas,

Em pensamentos que me fazem reviver

A pureza de suas águas.

 

Recordarei sempre o teu olhar

Tal como o teu corpo,

Sabendo que não te posso amar

Porque brevemente estarei morto.

 

Sofro por tua causa

E desconheço se vou resistir;

Em mim apodera-se uma pausa

E logo me leva a partir.

6

As estrelas deixaram de brilhar

E o mar fica distante!

A noite, transparente, parece reconhecer

Sombras encalhadas na ruela,

E ao fundo, a luz cansada de acender,

Apresenta-me uma mulher muito bela.

As estrelas deixaram de brilhar

E o mar fica distante!

Olhei o meu amor

Escondido na cabana,

Escondia sua voz no tambor

E iluminava objectos de porcelana.

As estrelas deixaram de brilhar

E o mar fica distante!

O caos do meu pensamento

Transporta-me para o final,

E todo o meu sofrimento

Esconde-se como um animal.

As estrelas deixaram de brilhar

E o mar fica distante!

 

 

Para publicação

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:07

03
Dez 19

Não o sei.

Foram pedras da calçada que arranquei.

Foram lágrimas que chorei.

Não o sei.

Esta terra que semeei,

E depois me cansei,

E depois me sentei,

Não. Não o sei.

 

 

Não o sei.

Porque morrem, aos poucos, as palavras que plantei,

Na folha de papel que rasguei.

 

Não.

Não o sei.

 

Não o sei.

Porque brotam lágrimas esta lareira que amei.

Esta fogueira que incendiei,

Na madrugada que pintei.

 

 

Não.

Não o sei.

 

 

Não o sei.

Porque sinto os combóis que nunca sonhei.

Não o sei,

Porque brincam meninos na seara que pisei…

 

 

Mas uma coisa eu sei.

 

Que o Sol que bilha, não fui eu que o pintei.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

03/12/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:39

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