Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

10
Mar 15

Em farrapos

as palavras desenhadas no teu corpo

entranham-se na tua pele

os cubos e os círculos do desejo

tens no olhar o espelho da saudade

saudade de...

em farrapos

as palavras

e a cidade

que morrem na clandestinidade

as ruas dormem docemente nas tuas pálpebras cinzentas

como pássaros embriagados pela madrugada

 

não oiço o sino da Igreja

porque o teu sorriso

deixa-me surdo

cego...

sem... sem palavras... cansado

em farrapos

de ninguém

ao acordar

o pequeno-almoço dispensa-me

fui despedido pela boca do sono

e alimento-me de cigarros

e palavras... em farrapos... a arder...

 

as migalhas inventadas por um livro de poesia

o livro de poesia poisa sobre a secretária

e o teu corpo nos meus braços

baloiça

dança

e sinto

a Primavera e a esperança

e a esperança

esperança...

esperança...

nos lábios das andorinhas

em flor... em cio... antes de partir o dia.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 10 de Março de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:04

31
Jan 15

Pintura_55_A1_Nova.jpg

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Roubaste-me o sorriso nocturno dos beijos em flor

pegaste nas minhas palavras e transformaste-as em solitárias andorinhas

depois

trouxeste a Primavera

e o amor

do poema

de amar o poema

e sentir no peito as equações do destino...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 31 de Janeiro de 2015

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:35

25
Dez 14

Os orgasmos poéticos

quando do chão esfomeado

se levanta

a matriz

ouvem-se as vozes disformes das andorinhas em flor...

ouvem-se... as sombras de aço nos lábios de uma abelha!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 25 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:36

13
Out 14

Porque dormem no meu olhar

os traços coloridos de silêncio?

 

Porque existe um veleiro desgovernado

no Oceano meu sofrimento,

se o vento,

se o vento deixou de correr junto às palmeiras...

 

Porque vagueiam na minha mão

as palavras nocturnas da dor,

quando o livro poisado na minha mesa-de-cabeceira...

ardeu,

morreu,

e hoje é apenas cinza como os traços coloridos de silêncio...

 

Porque dormem no meu olhar

os traços coloridos de silêncio?

 

Se nas tuas pálpebras crescem andorinhas sem asas!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 13 de Outubro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:32

01
Mai 14

foto de: A&M ART and Photos

 

não o sei

às vezes desce sobre mim a voz do silêncio

o rio com mãos de porcelana

acorda

deita-se na nossa cama

chora...

olha-se ao espelho e grita

não o sei

e às vezes

pergunto-me porque há barcos em papel com coloridas manhãs de Primavera

e às vezes

não o sei

 

os sonhos sonhados quando a noite deixa de nos pertencer

as palavras escritas amadas e desamadas

e o palheiro da madrugada invadido pelos odores do jardim anónimo

não o sei

acorda

e às vezes

tantas vezes... meu Deus

percebo que há andorinhas com fome

e fome vestida de gaivotas

chora...

não o sei

porque vives escondida no meu peito.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 1 de Maio de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:39

27
Abr 14

no seu término o dia mistura-se com as sombras do prazer

o teu corpo mergulha sobre o meu peito flácido

quase a adormecer

lá fora há poemas por escrever

palavras vagabundas correndo junto ao Tejo

folheio as pequenas páginas dos teus seios

descubro o significado de “Amor”...

e sinto a paixão a entranhar-se nos meus ombros

 

há silêncios a descer a tua pele de doirado sémen

que acabam por morrer

semeiam-se nos límpidos lençóis de seda

como jangadas esquecidas em Cais do Sodré...

afinal... o sonho são as pequenas páginas dos teus seios

à janela do “Adeus”

simplesmente inventando soníferos de cartão

e livros a arder

 

há em ti um púbis construído de andorinhas

e flores de papel

e no seu término...

o dia... o dia cansado de viver

como se o teu corpo embrulhado nos meus braços de aço laminado

adormecesse vivesse amasse e morresse

e descubro o significado de “Amor”...

e de ser “amado”.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 27 de Abril de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:11

02
Mar 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Há asas pinceladas nos teus verdes olhos de andorinha,

uma colmeia de palavras emerge da solidão nocturna,

há de ti as marés envergonhadas, tristes, marés... marés dos telhados de vidro,

sinto-te cambaleando sobre as nuvens cinzentas das janelas amarelas,

o jardim deixou de sorrir,

e partiu em direcção ao mar,

o amor de ti em mim... sem mim, uma coisa estranha, amarga, diluindo as ditas palavras castanhas,

há asas pinceladas,

há asas a arder sobre os teus ombros de melancolia,

e sei que no fundo do mar, vives, dormes... e passeias-te nua como ventos de nortada,

acendo a luz da paixão, e ao meu lado apenas uma imagens de néon...

gemendo sílabas e bebendo carícias de madrugada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 2 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:47

15
Jan 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Perceber o fogo do corpo em suspenso

aquele que arde entre a morte e as palavras enraivecidas

escrever no corpo que arde em suspenso quando os lábios do fogo

não morrem... e permanecem inconstantes como um círculo descendo a calçada da Ajuda

perceber que o homem arde

fervilha

e dorme no colo de outro homem...

ergue-se o cansaço argiloso das andorinhas de papel

vem a nós os desejos preguiçosos das saudades de ontem

e fervilhas

como um pedaço de madeira nas mãos de Deus...

porque o rio se despediu de ti e tu permanecerás dentro da lareira da paixão.

 

 

 

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:44

23
Jun 13

foto: A&M ART and Photos

 

Tão só como as andorinhas em papel

que brincam na tua mão exagerada

as migalhas do xisto mendigo correndo montanha abaixo

e depois

as carícias que a tua pele de neblina inventam no meu corpo de Primavera,

 

Vejo a névoa que os teus olhos alimentam à roldana das horas

voando entre finas esparsas manhãs com chocolate em pó...

dos ponteiros do meu relógio sem pulso

uma deslumbrante doentia pulsação esmorecendo nos finais de tarde

e entra-me o rio no meu corpo de madeira,

 

Encharca-me o peito

e sinto a inundação do meu coração... coitado

… à deriva como uma barcaça perdendo as letras do nome

em cada esquina da cidade com as sombras árvores em silêncios nocturnos

e eram assim os meus dias aprisionado em ti não o sabendo,

 

Em mim perdido como um charco de lama derretido no musseque da lentidão

desce a noite

cobrem-se-me as pálpebras com as palavras de ti

vagueando no cansaço espelho do guarda-fato o meu destino imaginário

….............
tão só,

 

As andorinhas em papel ardendo na lareira dos teus seios

submersos no meu peito

se ainda o tenho

porque não o sinto

porque... também eu transformei-me em homem de papel...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:30

28
Mai 13

foto: A&M ART and Photos

 

Queria ser como tu não sorrido como eu

queria ser um veneno que habitasse no teu peito

um construtor de insónias

um transeunte faminto combinando encontros nas paragens do eléctrico

sem bilhete e despido e ausente deprimido,

 

Queria ter-te e ser como tu não sabendo que lá fora choram as garças

que amanhã é quarta-feira e as nuvens deixaram de ser em algodão

e as horas não são não

mais torrões de açúcar deitados na tua mão

queria ser como tu e não saber que existem noites em noites como noites...

 

Assim nuas despidas contínuas e semeadas entre planícies e almas desesperadas

como tu eu um esqueleto de vento saboreando pipocas

numa cadeira junto ao rio

sonhando não sonhando com frio em cio

como tu quando acordas e dás-te conta que eu nunca existi em ti,

 

Porque sou um banco simples de jardim

como tu em ripas do jejum anunciado

queria voar como voavam os teus cabelos no silêncio dos paquetes em movimento

como tu eu assim... deambulando na ponte para o amanhã não sabendo dizendo

como tu que as rosas têm espinhos de porcelana e lábios de andorinha,

 

Porque sou um camelo desorganizado

não como tu porque tu és sossego e plenitude prometida

palavras em degraus de escada

contra o corrimão assim como tu deitada

à espera que regresse a madrugada dos ilustres corredores da paixão...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:08

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