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Cachimbo de Água

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As ruas na cidade

Francisco Luís Fontinha 28 Mar 11

Eu nas ruas da cidade

Mal tratado pelos paralelos da calçada

No candeeiro do jardim

Um pássaro olha-me

E defeca sobre a minha cabeça

Passo a mão

E na minha mão o presente envenenado

A tão desejada “merda”

 

Nas ruas da cidade

Quando o mar fica furioso comigo

Eu mal tratado

Eu sem abrigo

 

Eu cheirando a “merda”

Eu sou a “merda”.

Nas ruas da cidade

Eu saltitando de rua em rua

De tasca em tasca

De “puta” em “puta”

E “puta” nenhuma

Nenhuma na esquina da pensão

 

Quando o mar entra pela janela

E na minha cama a tão desejada “merda”

Eu mesmo…

Deitado seminu e sonâmbulo

Com três cabeças

E cinco pares de asas

 

E de mim acorda o fedor

Deixei de tomar banho

Não desfaço a barba

E vou dar lustro ao cabelo

 

Nas ruas da cidade

Eu saudade

Eu à espera de petroleiros

Que me olham como “paneleiros”

Eu engasgado

Nos paralelos que me comem aos pedacinhos

 

Me engolem devagarinho.

 

Eu com cinco euros

Dois maços de cigarros,

Digam-me senhores e senhoras

Rapazes e raparigas da esquina

Digam o que me interessa a mim o FMI

Vão tirar-me o subsídio de férias?

Vão tirar-me o subsídio de Natal?

Quero tanto rir-me… eu nem vencimento tenho

 

Venham esses “filhos da puta”

Quero lá saber.

 

Eu nas ruas da cidade

E a cidade aos poucos cospe em mim

A cidade revoltada com o meu cheiro intenso a “merda”

Mas eu tenho direito a voto

Não pago impostos

Não recebo subsídios de “merda” nenhuma

 

Sou muito feliz

E sou Libertino.

 

(Ao grande Luiz Pacheco)

 

 

FLRF

28 de Março de 2011

Alijó

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