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Cachimbo de Água

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Carta

Francisco Luís Fontinha 9 Jan 15

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Entras-me em casa

e aposentas-te nos meus braços

escrevo palavras nos teus olhos

vagueio sobriamente nos teus seios

entras-me em carta como se fosses uma carta

lembras-te?

daquelas onde desenhavas corações

flores

e eu?

círculos e quadrados,

equações,

a cidade arde no sexo desejado

o amor alicerça-se à sombra do teu corpo

e eu?

um acorrentado,

morto.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2015

Braços de Luar...

Francisco Luís Fontinha 29 Mai 14

Dizem-me que o teu corpo era de porcelana,

um amontoado de cacos, pedaços sem coração,

procuro..., procuro, procuro...

não os encontro na cama,

não os encontro nos telhados de zinco da sanzala envenenada,

e no entanto,

amo-os,

amo-os como se fossem uma jarra com dois braços de Luar...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 29 de Maio de 2014

Mil braços

Francisco Luís Fontinha 9 Jul 11

São precisos mil braços

Para erguer o meu corpo do chão

E apenas dois abraços

Alimentam o meu coração,

 

Dois beijos para caminhar

E um sorriso para viver

Uma boca para eu beijar

E um corpo para escrever,

 

Mãos para me acariciar

Quando a noite desce da montanha fria e escura

E o rio não corre para o mar,

 

São precisos mil braços

E muita ternura

Para cessar os meus cansaços.

A seiva dos meus braços

Francisco Luís Fontinha 11 Mai 11

A seiva dos meus braços

Esgota-se na maré

Baixa a cabeça junto à areia…

E quando amanhece

 

Não seiva

Não braços

Nada ficou depois da tempestade

E quando amanhece

 

Procuro a seiva dos meus braços

A força do meu peito

E canso-me de procurar…

E procuro nas paredes do buraco

 

Qualquer coisa onde me agarrar

Mas a seiva escorre pelas entranhas da terra

Desaparece na maré

Foge dos meus braços.

 

 

Luís Fontinha

11 de Maio de 2011

Alijó

O rio da saudade

Francisco Luís Fontinha 25 Abr 11

 

 

Corre em mim o rio da saudade

Entre montanhas de néon

Corre corre o rio onde deixei as minhas lágrimas

E hoje passeiam as gaivotas em liberdade

 

Corre em mim o rio onde me sentava

E ao longe vinha o pôr-do-sol

E em mim os dedos aflitos com o cigarro

E em mim o rio se entranhava

 

Submergia-me junto à torre…

E eu sonhava

Corre em mim o rio da saudade

Que ao cair da noite me aparece

 

E me deseja bons sonhos

Boa noite

Corre em mim um rio vadio…

E nunca me vai amar

 

E eu amo-o desde que me dentei nos seus braços

Entre montanhas de néon

Corre em mim o rio da saudade

Corre corre o rio junto à calçada.

 

 

FLRF

25 de Abril de 2011

Abraça-me apertadamente

Francisco Luís Fontinha 25 Abr 11

Abraça-me sem medo do vento

E poisa as tuas mãos nos meus olhos

Vendados pelo sofrimento

Abraça-me

 

Enquanto a tempestade não passa

E nas ruas correrem as sombras dos teus braços

Abraça-me apertadamente

Como não existissem cordas ou laços

 

Que prendem o meu corpo em flor

Apressadamente correndo os trilhos da saudade

Abraça-me sem medo do vento

Ou tempestade.

 

 

FLRF

25 de Abril de 2011

O sitio mais longínquo onde estive

Francisco Luís Fontinha 19 Abr 11

Abri a janela e a chuva rompia pelas amoreiras, os pássaros suspensos numa manhã de primavera, e dentro de mim a angustia dos teus braços quando ao fim da tarde me esperam junto ao rio, o vento bate nos teus cabelos, e no teu sorriso a finíssima neblina entre os olhares do néon que aos poucos acorda nos olhos de um veleiro, sento-me sobre uma pedra esquecida pela madrugada, puxo do silêncio do meu pensamento, e perguntam-me, e pergunto-me, qual o sitio mais longínquo onde estive,

- decididamente os teus braços!

 

 

Luís Fontinha

Alijó

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