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Cachimbo de Água

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“Coisas” da vida

Francisco Luís Fontinha 21 Jun 11

Uma estrela.

Na garganta de um buraco negro, de escuro nada tem o buraco, a 3.800 anos-luz do ponto azul que somos, papou-a, saboreou-a, mastigou-a silenciosamente no frio escuro do Universo, e o professor Renato Las Casas,

- Buraco negro é uma “coisa” que de negro tem tudo, mas de buraco não tem nada,

Uma “coisa”.

E o que será esta “coisa”?, e se esta “coisa” papar literalmente o sol?, estamos fodidos, a luz extingue-se junto ao guarda-fato, ele deitado sobre a cama e no estuque penduradas estrelas, biliões de estrelas, biliões de planetas, biliões de dor de costas, espondilose e bicos de papagaio, poisa as mãos sobre o peito, e o sol a 149.597.871 quilómetros dos seus olhos, poisa as mãos sobre o peito e começa a contar estrelas, uma duas três, na décima ressona, dorme engajado, ele engajado, e o Padre,

- Voluntário nem para a tropa,

Sentido. O corpo balança com o vento. Direitaaa voolltaarrr. E cornos no pavimento.

Estatelou-se contra a “coisa”, entra pela “coisa” dentro, jornais, revistas, livros diversos, a “coisa” escura, a “coisa” junto às suas mãos, e as mãos deitadas sobre o peito, duas maminhas com luzes intermitentes, alternadamente, acende e apaga, terra à vista, as ondas mais altas que o pé direito do compartimento, e aos poucos ele engolido pela “coisa”, a “coisa” papa-o como se fosse cerelac,

- O menino dá, a colher encosta abaixo, rio, a babete empapada nas estrelas, que também elas, comidas pela “coisa”,

A luz acende-se.

E se esta “coisa” dos buracos negros nos papassem a todos?, aos poucos normaliza a respiração, puxa de um cigarro, o cigarro abraça-se aos lábios e percebe que tinha sonhado,

A “coisa” sumiu-se no escuro.

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