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Cachimbo de Água

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Esqueleto apátrida

Francisco Luís Fontinha 13 Jan 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Nas pálpebras do silêncio um fino fio de tristeza,

mergulha, insemina e cresce como pétalas cinzentas,

corre na límpida água fresca dos seios encastrados na montanha do desejo,

morrem todas as palavras terminadas em OR,

morrem as nuvens de chocolate e os sinos ásperos do sofrimento...

 

Ouvem-se-lhes nas migalhas do dúctil granito as mágoas de um final de tarde,

sem luzes amarelas, sem néons alicerçados à cidade do medo,

ouvem-se-lhes os ditongos gagos nas planícies desnorteadas do corpo adormecido,

sem luzes amarelas, sem... nas migalhas do dúctil granito as mágoas... de tarde,

 

A dor veste-se de negro, e o vértice do prazer desalinha-se em relação ao centro da Cárcoda espalhada pela serra da Arada,

lobos uivos distraem-nos como pedaços de vento saltitando de pedra em pedra...

tropeça-se no buraco da nocturna habitação esquecida junto à ribeira,

e... o Inverno, e o Inverno transforma-se em esqueleto apátrida.

 

 

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 13 de Janeiro de2014

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