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Cachimbo de Água

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(e não sei amar)

Francisco Luís Fontinha 30 Jul 12

Vivo entre quatro paredes invisíveis

construídas pelo vento

sou metade pássaro

sou metade peixe

(e não sei amar)

e nunca percebi as (mulheres)

confesso

confesso que me é mais simples resolver uma equação diferencial

do que

do que olhar as manhãs de inverno da janela do palheiro onde habito

do que

resolver uma integral tripla

 

confesso

(e não sei amar)

as cintilações da álgebra linear e geometria analítica

matrizes

confesso que muito mais simplificadas

do que

do que algumas mulheres

(e não sei amar)

 

as flores

e as noites à espera das sílabas lunares

em rotações complexas

elípticas

 

o que interessam os protões

electrões

buracos negros

galáxias

deus

se o céu nocturno é tão lindo...

 

o que me interessa se a água é uma molécula

composta por dois átomos de hidrogénio

e um

e um átomo de oxigénio...

 

se elas (as moléculas) simplesmente saciam a sede

e refrescam as mãos húmidas das palavras

em telegramas ínfimos ausentes no cadáver da floresta abandonada

(e não sei amar)

 

dizem

dizem-me que nunca soube amar

 

e

e fico triste.

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