Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

29
Jan 20

Todas as coisas, possíveis, impossíveis,

Acontecem quando nasce em mim a noite.

O corpo range de sono, perco-me nas palavras da saudade,

Quando regressa a madrugada,

E, todos os pássaros voam em direcção ao mar.

Um barco chilreia, voa sobre o jardim das cantarias,

Flores dispersas, como mendigos apressados,

Brincando na eira,

Olham o cereal,

Deitam-se no chão,

E, sonham com o luar.

Todas as coisas,

Infinitas, finitas, nas mãos de Deus.

Um esqueleto de silêncio vagueia nas pálpebras da insónia,

Morrem as pedras do meu pobre jardim,

Levantam-se as migalhas da fome,

Quando um carnívoro de sombra, às vezes cansado, levita na escuridão da solidão.

Tenho fome;

Tive pai, mãe, e, nada mais…

Agora, tenho a floresta,

Os papagaios em papel, de três cores,

E, num pequeno caderno quadriculado, invento o sonho,

Imaculado, distante, ausente,

Como todas as coisas,

Possíveis, impossíveis.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

29/01/2020

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:58

27
Dez 19

Sou um petroleiro fundeado nos teus braços,

Meu Tejo dos cansaços.

Sou um petroleiro em combustão,

Nas manhãs de nevoeiro,

Sou a fogueira da madrugada.

Sou um petroleiro,

Cansado da geada,

E do cacimbo da tua mão.

Sou um petroleiro esfomeado,

Passeando no deserto tua canção.

Sou um petroleiro avariado,

Nos rochedos da solidão.

Sou um petroleiro vagabundo,

Imundo.

Sou um petroleiro sem comandante,

Que Às vezes vai ao fundo.

Que Às vezes, sente.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

27/12/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:55

24
Mar 19

O ponto final da vida.

A morte prometida,

Sobre uma mesa empobrecida,

Quando os livros revoltados,

Descem a avenida,

Como soldados.

 

Pum. Fim da vida.

 

O silêncio.

Amo o silêncio dos pássaros, poisados nos teus lábios,

Doirados,

Doces,

Dos eternos namorados.

 

Grandes sábios.

 

Descem, sobem,

Sobem e descem,

 

Avenidas, ruas e ruelas,

Coitados,

Dos pássaros enamorados,

 

Entre lágrimas e velas.

 

Morre o poema na minha mão,

Sinto-lhe o esqueleto de dor, junto à noite,

Morrem todas as palavras do poema que morre na minha mão…

E coitadas…

Das janelas empoeiradas,

Velhinhas,

E, cansadas,

Como sexos apaixonados,

Nas sanzalas de prata,

A chuva miudinha,

Dos marinheiros em flor,

O cansaço, a desgraça do cio da madrugada,

Do meu primeiro amor.

 

Como eu quero escrever no teu corpo de sombra,

Na rua, uma montra,

Um par de calças esperando-me…

Sem saber que no final do dia,

Eu sentia,

A fórmula mágica das árvores apaixonadas,

As areias,

Os insectos envenenados pela fúria,

Não o sei, meu amor,

Nunca soube, meu amor,

Que o amor é uma merda,

Uma canção de revolta,

À volta,

Da fogueira.

 

Pum. fim da vida.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

24/03/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:13

13
Ago 17

Tenho medo da tua imensidão,

Da fúria das tuas mãos quando o vento se agacha no chão…

E pede perdão,

 

Pára,

Escuta o silêncio dos mortos, e dos sonâmbulos abandonados,

Ergue-te e cresce na floresta dos vivos,

Enquanto a cidade se prostitui nos horários nocturnos da madrugada,

Pára,

Escuta o silêncio dos mortos, e dos pássaros envenenados,

E da paixão,

A húmida terra lapidar do desassossego…

 

E crava no peito uma canção,

Abraça o coração…

 

Das falésias adormecidas.

 

Tenho medo da tua imensidão, e dos acrílicos desenhos desgraçados.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 13 de Agosto de 2017

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:06

12
Jun 17

Na arte de sofrer,

Quando dentro de mim arde um corpo esquelético, e sem o saber,

Ele ilumina a noite que se cansou de crescer,

 

Tenho nas raízes solares a vontade de partir…

Caminhar naquele rio absorvente

Que engole todos os corações,

Tenho nas mãos o sangue valente

Das marés e dos canhões…

Que me obrigam a sorrir,

 

Na arte de sofrer,

Deixo para ti o prazer…

O prazer de escrever,

 

No prazer de morrer.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 12 de Junho de 2017

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:12

03
Jan 15

(Desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

Oiço Oumara Moctar Bambino,

o sémen invisível do sono alicerça-se aos lençóis de porcelana,

habito um terceiro andar reumático,

romântico,

loucamente apaixonado,

brinco com os círculos do desejo,

tenho um sonho,

acordo e sinto-me um palhaço de vidro,

sem beijos,

sem... sem abrigo

Oiço Oumara Moctar Bambino,

e uma jangada de insónia poisa no meu ventre...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 3 de Janeiro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 15:03

13
Dez 14

Esta rua que me alimenta

esta rua que me corre nas veias

esta rua sem sombras

esta rua sem candeias,

tem plátanos embalsamados

tem gaivotas em papel

esta rua que me alimenta

esta rua dos silêncios embriagados,

das plumas enfeitiçadas

esta rua construída com sorrisos de vento...

a minha rua tem casas

e... e flores em sofrimento,

esta rua das noitadas

e dos cinzentos olhares com odor a poesia

na minha rua habitam canções...

e palavras em agonia,

ai... esta rua dos alentos em evaporação

e das barcaças em melodia

esta rua é vida

... esta é a rua da fantasia,

sinto a sinfonia

das tristezas disfarçadas de madrugada

esta rua nunca está cansada

esta rua... esta é uma rua apaixonada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 13 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:48

01
Dez 14

Arcaico silêncio que finge adormecer nas minhas mãos

saboreiam o teu corpo pincelado de luz

como a névoa pálpebra de papel voando sob o púbis da madrugada

a mendicidade dos teus lábios quando o meu espelho se parte em teu sorriso

o verme poema enrolado nos teus seios...

em curvilíneos cansaços

traçando lágrimas de sémen no triângulo nocturno da insónia

da janela... o teu perfume em pequeníssimas lâminas de suor,

 

Uma equação de amor morre na quadriculada folha embriagada,

 

Arcaico silêncio que finge...

minhas mãos indiferentes à parábola do teu cabelo

se existes... é porque pertences às telas invisíveis do amanhecer

como andorinhas ancoradas às cordas da solidão

que ardem

e se evaporam...

 

Uma equação de amor morre na quadriculada folha embriagada,

 

E tu não percebes que há na matemática a paixão secreta do desejo

que na ardósia tarde junto ao rio

o teu corpo pertence-me na plenitude simetria de uma canção

que te revoltas

nos meus braços

como uma criança em distantes birras...

desenhando círculos na areia

ou... ou escrevendo sílabas numa rua sem saída.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:01

29
Nov 14

Simplificado orgasmo sem sentido,

o prazer da escumalha insónia

quando o clitóris se enfurece

e foge... em direcção ao mar,

simplificado sorriso das tuas fantasias disfarçadas de cidade,

transeuntes em fúria,

nomes desorganizados

nos braços de estátuas embriagadas,

soníferos sofrendo quando a noite se despede do silêncio,

a morte em fumo

disfarçado de cigarro... a morte

o insignificante abutre na canção da estória...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 29 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:35

22
Nov 14

Queimaste a insígnia da paixão no sonífero adeus da tempestade,

dormes profundamente só...

e te alimentas das insignificantes metáforas da saudade,

trazes nas lágrimas uma canção por escrever,

um poema se ergue na tua mão,

e sem o saberes...

habitas na calandra encaixotada do sofrimento,

não sei se algum dia serei teu,

não sei... não sei se lá fora há sol ou escuridão,

se é dia,

noite...

ou... uma mistura de tons com odor a infância,

um barco encalha nos teus seios,

transpiras... gemes as sílabas do prazer,

esperas pelo nascer da madrugada,

quando hoje não haverá madrugada,

quando hoje... não acontecerá nada...

se é dia,

noite...

ou... ou um pincel disparado pela espingarda da solidão,

e se entranha no teu sorriso...

e no entanto,

queimaste a insígnia da paixão,

como quem apaga um cigarro depois de te amar.

 

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 22 de Novembro de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 16:08

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