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Cachimbo de Água

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Ser um inútil

Francisco Luís Fontinha 4 Nov 11

(“Atualmente sou um inútil”, Abel in Claraboia – José Saramago)

 

Atualmente sou um inútil

Um pedaço de xisto

Nem sou chuva

E nunca conseguirei ser o vento…

 

Atualmente sou um inútil

Que ama loucamente o mar,

E nunca,

E nunca voltarei a abraçar o mar,

 

Atualmente sou um inútil

Que ninguém,

Porque sou um inútil…

Ninguém quer abraçar,

 

Para que servem as palavras que escrevo?

Os livros que leio?

 

Atualmente sou um inútil

Um pedaço de xisto

Nem sou chuva

E nunca conseguirei ser o vento…

 

E quando sonhava,

Queria voar,

E nunca voei,

Por ser um inútil…

Deixei

De sonhar.

Há um poema dentro de mim

Francisco Luís Fontinha 30 Out 11

Há um poema na minha vida

Que não me deixa desistir,

Há um poema que segura os meus sonhos

E me diz para acreditar,

 

Há um poema dentro de mim

Uma fogueira a arder,

Há um poema que me obriga a gritar…

A cada manhã ao acordar

 

Ou nos dias a sofrer,

Há um poema

Que me obriga a sonhar

E a viver…

 

Há um poema dentro de mim

Construído de pedacinhos de areia,

Nasceu em Luanda…

E corre na minha veia.

 

(“Queriam-me casado, fútil e tributável?” Álvaro de Campos)

“É isto o que a vida quer de toda a gente?, perguntava Abel.” (Claraboia de José Saramago, pág. 267)

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