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Cachimbo de Água

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O encontro

Francisco Luís Fontinha 27 Out 11

João espera e desespera a chegada de Sofia, a cama encostada ao fogão na cozinha, os pássaros, os pássaros sob o céu cinzento da quinta, a casa despede-se da manhã,

- “ faço tudo o que elas querem mas nunca tiro o chapéu da cabeça para que se saiba quem é o patrão”,

E Sofia não vem, nunca ao meu lado, desço à garagem e olho o barco que estou a construir e logo que pronto e logo que chegue a Sofia zarpamos pelos terrenos de Palmela em direção à noite,

Ela nunca ao meu lado,

- conto os pássaros da quinta, e hoje não quinta e hoje não pássaros,

E hoje,

Hoje não Sofia,

João espera e desespera,

O pai do João estacionado na clinica,

- “ faço tudo o que elas querem mas nunca tiro o chapéu da cabeça para que se saiba quem é o patrão”,

E percebo que nunca existiu nenhuma Sofia, e percebo que nunca existiram pássaros na quinta de Palmela, e percebo,

- “ faço tudo o que elas querem mas nunca tiro o chapéu da cabeça para que se saiba quem é o patrão”,

Eu sei pai, eu sei,

João espera e desespera a chegada de Sofia, a cama encostada ao fogão na cozinha, os pássaros, os pássaros sob o céu cinzento da quinta, e um livro a que A. Lobo Antunes chamou O Manuel dos Inquisidores…espera e desespera pela chegada de uma Sofia, espera e desespera pela chegada de um João…

Ao cair da noite.

 

(Inspirado e baseado no livro de A. Lobo Antunes “O Manual dos Inquisidores”)

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