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Cachimbo de Água

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Infelizmente eu não gaivota

Francisco Luís Fontinha 7 Mai 11

Vejo no espelho excrementos

Que são a minha imagem reflectida na noite

Eu dançando no fundo da sanita

Engasgado pelo silêncio da casa de banho

 

Tento aos poucos emergir da merda

Mas a água do autoclismo puxa-me

Agarro-me às paredes

Escorrego… começa a afundar-se

 

A minha imagem dentro de uma conduta

Entro no vácuo

E caminho por um tubo de cento e dez milímetros de diâmetro

Percebo de estou debaixo da rua

 

Percebo que a rua cansada de mim

Farta da minha imagem de excremento

E eu feliz

E eu em direcção ao mar…

 

Vejo no espelho excrementos

Que são a minha imagem reflectida na noite

Eu dançando no fundo da sanita

Eu sufocado no desejo

 

Deitado de barriga ao ar

E tudo tinha peninha da minha imagem de excremento

Dançando na madrugada

E infelizmente eu não gaivota

 

Brincando dentro de uma conduta

Em direcção ao mar

À procura do amanhecer…

À espera de adormecer

 

E morrer.

 

 

Luís Fontinha

7 de Maio de 2011

Alijó

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