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Cachimbo de Água

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pulsar do meu velho e estranho corpo

Francisco Luís Fontinha 14 Fev 14

foto de: A&M ART and Photos

 

vês o meu velho e estranho corpo dentro da insónia madrugada

percebes que dentro de mim existe um conjunto de roldanas, rodas dentadas e alguns tristes veios mergulhados na escuridão da partida

um comprimento indefinido de corda em perfume sisal adormece no teu pescoço de porcelana

sinto-te nas pálpebras de granito que a manhã deixou sobre a mesa-de-cabeceira

é tarde

temos fome de partir

correr em direcção ao rio com palavras de azulejo apodrecido

tocar na pele do mar

olhar no relógio de pulso o pulsar do desejo...

é tarde

temos de partir... partir para o prometido beijo

… sem sentir o palpitar do vento entre os corações de areia e as rochas abandonadas

 

um candeeiro de água salgada semeado no centro do passeio libertino

dois esqueletos de saliva deambulam como se fossem a alegria transformada em silêncio

o medo que o desejo roube todas as esplanadas de vidro

o cheiro das janelas com mãos de putrefacção acordam em ti e alicerçam-se aos teus cabelos de estanho

estranho mundo onde vivemos porque não sentimos o que temos

porque não o sabemos

ainda... se amanhã acordarás sobre o meu peito

ou... enforcada paixão nos ombros do plátano de cinzeiro gaivota atravessando pontes invisíveis

lágrimas com sabor a pétalas de carvão escrevem-se em mim

fico envergonhado

sem jeito...

triste... assim... assim como ficam tristes os livros dos teus seios quando líamos abraçados num sótão de insulina...

 

 

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 14 de Fevereiro de 2014

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