Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

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Mar 11

Hoje um péssimo dia. Palmilhei as ruas pedinchando e nada, nem uma moedinha, nem um cigarrinho, nada, nem um pratinho de sopa. Hoje péssimo dia. Há dias assim.

Dói-me o estômago, e a fome toma conta dos meus braços, sinto-me levemente nas ruas da cidade, e começo a ficar desprovido de peso, a roupa dança-me no corpo a valsa da fraqueza e os sapatos parecem pertencer a um defunto esquecido num banco de jardim.

Dói-me o estômago e hoje apenas me alimentei de um texto de Luiz Pacheco, o gajo é maluco, mas é melhor que nada, e percebo porque há pouco enquanto defecava pela calçada começaram a correr palavras do Libertino e das Cartas ao Léu, mas se a comida é pouca a defecação também não poderá ser muita…

Hoje um péssimo dia. Palmilhei as ruas pedinchando e nada, nem uma moedinha, nem um cigarrinho, nada, e dou conta que a cama em papas, os papelões encharcados pela chuva, o pobre quando anda em maré de azar até os cães lhe mijam nas botas, e o pançudo do meu cão agora cismou que quer ser deputado, e começou a aprender a escrever,

- já escrevo o meu nome,

Aos poucos e devagarinho aprender a ler,

- juro pela minha honra…

E qual honra qual carapuça,

E por fim aprender a contar, um dois três,

- três mil euros mensais,

Dói-me o estômago e hoje apenas me alimentei de um texto de Luiz Pacheco, o gajo é maluco, mas quando a fome aperta tudo serve para dar corda aos sapatos…

 

 

 

(texto de quase ficção)

FLRF

28 de Março de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 17:25

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