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Cachimbo de Água

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caos

Francisco Luís Fontinha 30 Dez 13

foto de: A&M ART and Photos

 

há uma ordem indefinida que habita no centro do teu corpo

a tempestade preguiçosa dos barcos encarnados abraçam-se a ti

e tu parecendo uma ardósia em fim de tarde

escreves-te e alimentas os volantes e êmbolos da tristeza

escreves-te e gaguejas as palavras mortas que o vento transporta

como nuvens de poeira sobre a pele húmida da paixão...

apaixonado sempre

sempre... como um vulcão entranhado na montanha dos sonhos

trazes-me os cinzeiros com asas voláteis depois dos desalojados cigarros partirem na tua mão

recordas-te do silêncio

e acreditas nas pedras quentes dos telhados invisíveis da insónia

há uma ordem secreta dentro de ti que não quer movimentar-se na roldana dos beijos cinzentos,

 

lembras-me as chuvas endiabradas das sanzalas com telhados de cacimbo

eu chorava porque tinha acabado de perder um simples papagaio de papel

tinha quatro cores

e... e um velho cordel

havia em ti uma ordem

que do centro do teu corpo ao meu olhar perdia-se como se perderam todas as sombras do desejo

e despejados nós

continuamos a procurar marés de papel das cartolinas suspensas nas paredes da velha escola

hoje

sei...

sei que há uma ordem embrenhada na desordem

e as tuas vãs palavras vivem no caos da solidão.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 30 de Dezembro de 2013

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