Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

19
Mar 19

Não sei, meu pai, não... sei,

O frio entranhava-se-lhe nos ossos fictícios de pequenas partículas de desejo, António inventava fogueiras no olhar, esfregava as mãos como se de uma reza se tratasse, mas não, a rua deserta deixava-lhe suspenso nos ombros um fino silêncio de noite, imaginava vãos de escada em cada esquina, desenhava na geada pequenos quadrados, depois, de pé ente pé saltitava como a queda de uma folha,

Um cigarro adormecia-me a alma, reclamava ele quando dois adolescentes se abraçaram a ele

E ele?

Incrédulo,

Vocês. Aqui?

 

 

In “Amargos lábios do poema”

Francisco Luís Fontinha – Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:43

19
Mar 17

Imagino os teus olhos lacrimejantes nas paisagens do Congo,

Transportavas no corpo as serigrafias do sono…

Que apenas um rio te separava da inocência,

Tinhas na algibeira os cigarros e a fotografia da tua mãe…

Inventavas poemas com palavras esquecidas no capim,

Que o cacimbo apergaminhava na aventura da escuridão,

Lá longe ficava a barcaça imaginária de um dançarino obsoleto,

Sentavas-te nas montanhas da tristeza e rezavas,

Rezavas pela melancolia dos destinos transparentes do olhar de uma serpente,

E nunca percebeste que eu um dia eu te recordaria como um sonâmbulo obscuro,

Que transporta os alicerces de uma cidade em pó…

E em pó te transformaste.

 

 

Francisco Luís Fontinha

19/03/17

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:04

19
Mar 16

São tristes os dias sem ti

Que a noite alimenta

Sem saber que a solidão existe

E mente como mentem todos os relógios…

Que o meu pulso abraçou,

São tristes as madrugadas

Sem os teus gemidos

E sofrimento,

São tristes os dias sem ti

Que a noite lamenta

E descobre em cada sombra

O abraço passageiro da melancolia…

São tristes

Os dias…

Sem ti

Enquanto dormem as tuas mãos no meu rosto…

 

Francisco Luís Fontinha

sábado, 19 de Março de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:41

19
Mar 11

Para muitos, uma tela sem valor,

Para outros, insignificante,

Alguém vai dizer… são apenas uns riscos…

Mas para mim é o meu pai,

 

O homem que me ensinou a integridade

E a pensar pela minha cabeça,

O homem que me incutiu o vicio dos livros…

E nunca me rebaixar ou a mudar de opinião

 

Apenas para proveito próprio.

O meu pai ensinou-me a nunca acenar com a cabeça que sim

Apenas porque os outros o queriam,

E o mais importante, respeitar as diferenças,

 

Sejam de ordem política, orientação sexual, raça ou religiosa.

Para muitos, uma tela sem valor,

Para outros, insignificante,

Alguém vai dizer… são apenas uns riscos…

 

Mas para mim é o meu pai.

 

 

Luís Fontinha

19 de Março de 2011

Alijó/Portugal

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:33

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