Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

31
Mar 11

Assassinam-me aos poucos

Espadas em mim

Vozes em silêncio

Lábios perdidos no amanhecer

Converso com as sombras do teu olhar

E no meu corpo habita um pesadelo

Um monstro sem cabeça

Com asas mas não sabe voar…

Está na prisão de uma mão

Do meu corpo também ele sem cabeça

 

Assassinam-me aos poucos

Os olhos que se agarram aos malmequeres

As andorinhas que sobrevoam a minha janela

Quando as espadas no meu peito

 

E o meu peito sangra

Geme quando se acende uma luz

Quando espadas em mim

Me assassinam aos poucos

 

Não sinto a dor

Deixei de ter dor

Sinto apenas o frio do aço

A escorregar nos meus braços

 

Amarrados ao cortinado

Assassinam-me aos poucos

Espadas em mim

Espadas com dentes

 

Espadas com olhos

Espadas com uma cabeça

Espadas humanas

Que à minha volta sorriem

 

E saltitam quando caminho na rua

Também ela entupida de espadas

Em mim

Que me assassinam aos poucos.

 

 

FLRF

31 de Março de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:28

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