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Cachimbo de Água

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Assassinam-me aos poucos

Francisco Luís Fontinha 31 Mar 11

Assassinam-me aos poucos

Espadas em mim

Vozes em silêncio

Lábios perdidos no amanhecer

Converso com as sombras do teu olhar

E no meu corpo habita um pesadelo

Um monstro sem cabeça

Com asas mas não sabe voar…

Está na prisão de uma mão

Do meu corpo também ele sem cabeça

 

Assassinam-me aos poucos

Os olhos que se agarram aos malmequeres

As andorinhas que sobrevoam a minha janela

Quando as espadas no meu peito

 

E o meu peito sangra

Geme quando se acende uma luz

Quando espadas em mim

Me assassinam aos poucos

 

Não sinto a dor

Deixei de ter dor

Sinto apenas o frio do aço

A escorregar nos meus braços

 

Amarrados ao cortinado

Assassinam-me aos poucos

Espadas em mim

Espadas com dentes

 

Espadas com olhos

Espadas com uma cabeça

Espadas humanas

Que à minha volta sorriem

 

E saltitam quando caminho na rua

Também ela entupida de espadas

Em mim

Que me assassinam aos poucos.

 

 

FLRF

31 de Março de 2011

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