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Cachimbo de Água

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As aventuras na eira

Francisco Luís Fontinha 16 Jun 17

Uma nuvem sulfúrica poisa no teu silenciado sorriso,

Agacho-me sobre a terra prometida…

Mas não tenho jeito para a aprisionar na minha mão,

Minutos depois, palavras muitas, perco o juízo,

Pego na luz magoada que ficou em ti esquecida,

À porta de entrada do meu coração,

 

As aventuras na eira

Enquanto cai a noite sobre o espigueiro,

Livros perdidos dentro de um mealheiro…

Para serem vendidos na feira,

 

A casa é pobre, pequena… e aconchegante,

O quintal recheado de poemas envenenados pela charrua,

O meu corpo embebido em clorofórmio vomitando sinalização de rua…

Que o luar se torna brilhante,

 

E a lua,

É tua.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 16 de Junho de 2017

A manhã antes de acordar

Francisco Luís Fontinha 19 Mai 14

Tínhamos dentro de nós

uma finíssima película de espuma

éramos dois espantalhos semeados no centro do trigo

sentados

olhávamos o espigueiro da preguiça

cansado

ao sol

deitado entre as ripas da solidão,

 

Tínhamos um punhado de desejo

e sentíamos as faces do vento nas nossas mãos de esmeralda

os diamantes iluminavam os teus olhos de sereia madrugada,

 

Tão louca

a noite

quando adormece no teu ventre,

 

Colocava os meus dedos nos teus cabelos

voavam como um colorido papagaio em papel doirado

ouvíamos as lágrimas do rio

que depois do luar... acorrentava barcos e marinheiros famintos

e tínhamos

e sentíamos...

o quê?

beijos transversais nas vidraças do poema,

 

Tínhamos...

… e era tão louca

a manhã antes de acordar.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 19 de Maio de 2014

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