Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

06
Abr 14

Inventava estórias para eu adormecer,

dizia-me que todas as estrelas tinham mãos, que todas as estrelas tinham... coração, amor, e... e paixão,

acordava cedo,

sussurrava-me palavras inaudíveis, palavras frágeis, palavras sem rosto,

nuas palavras em corpos vestidos de papel,

inventava estórias com sabor a chocolate,

e ouvia o som melódico da voz invisível,

tinha medo do mar,

e hoje, hoje... amo-o, amo-o como se ele pertencesse à minha vida,

corresse nas minhas tristes veias, nas minhas... tristes palavras,

e eu menino, acreditava nas suas estórias...

nas palavras de estórias que vagueavam sobre os telhados da cidade imaginária.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 6 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 14:27

01
Dez 13

foto de: A&M ART and Photos

 

não tínhamos nome

perdemos-nos na idade enquanto poisava no tecto do desejo a saudade

inventávamos estórias com pequenos paus de fósforo

aqueles...

que sobejavam dos cigarros perdidos na madrugada

não dormíamos

e não tínhamos nada...

cama

roupa

ou comida

lavada

não tínhamos nome

(morada

idade

sexo

não éramos nada comparados com os tristes cortinados das alvoradas sem tempestade)

percebíamos nada de poesia

tínhamos medo da literatura

e durante a noite...

dormíamos embrulhados às personagens que tínhamos lido quando ainda existia em nós a tarde junto ao candeeiro cinzento do jardim nocturno dos abismos rochedos de néon

os sexos mergulhavam na ponte metálica das treliças mãos que o desejo deixava em nós...

calculávamos o momento fletor das nádegas tuas quando lá fora uma equação de tédio

sem nome como nós

também

perdia-se nas sanzalas dos olhos verdes

o medo absorvia-nos

e a morte aos poucos

comia-nos como come os marinheiros de ombros sombreados nos petroleiros do fantasma envidraçado...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 1 de Dezembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:19

23
Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

canso-me das palavras que não posso gritar

aquelas palavras que ficam guardadas

aprisionadas dentro do espelho que alimenta o teu olhar

canso-me dos livros que leio e li

e daqueles que dormem sobre mim invisivelmente

sós...

e é tão triste ser um livro

que ninguém acaricia

e lê e só...

deitado sobre a prateleira número quatro

ao lado da solidão nocturna

das personagens envenenadas que se suicidam depois de terminar a estória...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 23 de Agosto de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 10:58

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