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Cachimbo de Água

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Os finíssimos fios de cabelo

Francisco Luís Fontinha 8 Jul 11

É nos teus pequeníssimos fios de cabelo

Que as flores se alimentam,

Magnificamente ela sentada na esplanada do café a mastigar os artigos do semanário Expresso, não fuma, dos cigarros dele o fumo transverso das palavras semeadas sobre a relva, sílabas minhas e sílabas dela, vogais, letras desordenadas em fila para a consulta no posto médico, dores de cabeça e dores de barriga, corredor e ao fundo esquerda, a empregada com um cartaz na mão, peça de Teatro “O comilão” inspirado nos textos de Luís Fontinha, salão dos bombeiros voluntários às vinte e duas horas e trinta minutos, gravidez, segunda porta à direita, e ele questiona-se, e eu porra?, não me dói a barriga não tenho dores de cabeça e que eu saiba também não estou grávido, o senhor espera no hall, retorquiu-me a magricelas de bata transparente, os seios de rosa pendurados no azul do céu, no umbigo um pedacinho de metal semelhante a um outro que sobressaia na orelha esquerda, será esta gaja metalúrgica?, ele espremendo pensamentos no cérebro desalinhado, por favor, olhe, desculpe… dor na mão, casa de banho, quarta porta à esquerda, como pergunto eu?, dores na mão é na quarta porta à esquerda, casa de banho, cintila a magricelas de mamas penduradas para mim,

- Olha amor, diz aqui no Expresso que “família de Maddie também foi escutada pelo News of the World”,

Ai sim,

Começo a afastar as ondas à medida que caminho no corredor, quarta porta à esquerda, bato, gritam-me lá de dentro, faz favor, com licença senhor doutor, as minhas palavras contra a careca do homem enfastiado e sentado a uma secretária, e o doutor no silêncio da tarde e com o rosto atado ao monitor do computador, o que o traz por cá, é uma dor na mão direita, mão direita?, pergunta-me ele, mão direita é no gabinete em frente, foda-se vocês nunca sabem nada, filhos da puta, dores na mão direita quarta porta à direita, dores na mão esquerda quarta porta à esquerda, custa assim tanto?, ele aos berros,

- Olha amor, “NASA quer pôr um camião na lua”,

O Moonstream,

Claro que custa, custa e muito, ando aqui feito paspalho de porta em porta, livro de reclamações escreve ele na parede, saio, cerro a porta e semeio-lhe pregos, agora vais-te foder que não sais daí, eu para o candeeiro do tecto, mais umas braçadas nas ondas incandescentes do mar, e pum pum na porta da direita, faz favor entre, está aberta, a voz melódica de uma mulher, posso senhora doutora, sim claro, o que o traz por cá?, eu lamento-me da dor intensa na mão direita, o senhor fuma?, sim muito, digo-lhe eu, isso é do cigarro, CIGARRO?, sim cigarro, vou receitar-lhe comprimidos para engolir três vezes ao dia, e tabaco, tabaco nenhum,

- “Bancarrota: risco de Portugal de 11,7% a 57%”,

É nos teus pequeníssimos fios de cabelo

Que as flores se alimentam,

E eu que pensava que não…

Depósitos de coisas

Francisco Luís Fontinha 21 Jun 11

Este pequeno texto não tem o intuito de ofender as susceptibilidades de ninguém, tão pouco entrar no campo religioso; sou ateu e espero que respeitem as minhas ideias, da mesma forma que eu respeito os que acreditam, seja ela qual for a religião.

“Tiago Mesquita, 100 reféns” escreveu uma crónica no expresso (http://clix.expresso.pt/entrou-nas-urgencias-com-uma-nossa-senhora-dentro-dele-literalmente=f656578), onde relata a entrada de um indivíduo nas urgências do HUC, Hospital da Universidade de Coimbra, com uma nossa senhora de Fátima enfiada no ânus, não caros leitores, não é anedota, aconteceu. A explicação para o sucedido é que andava nu pela casa, escorregou, caiu, e por grande milagre, a entrada da nossa senhora de Fátima pelo rabo acima.

Aos poucos chegam até nós relatos esquisitos, mulheres pedem ajuda às urgências dos hospitais, com os mais variados objectos metidos na vagina (garrafas de Coca-Cola, telemóveis, comando de TV, e afins), e também existem casos de homens com os objectos mais estranhos enfiados no ânus.

E se Deus dotou a mulher com vagina e o homem com pénis, não teve, penso eu, na mente, que a primeira sirva-se dela para depósito de objectos, e o segundo, enfiar o objecto em buracos de parede, galinhas, ou, ou às vezes em locais estranhíssimos.

Tenham juizinho, e antes de enfiarem o que quer que seja, pensem duas vezes: não foi para isso que Deus deu ao homem um pénis, e à mulher uma vagina.

Utilizem-nos de forma correcta, ou será necessário manual de instruções?

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