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Cachimbo de Água

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Bilhete na alvorada

Francisco Luís Fontinha 13 Mar 15

No trajecto da insónia

um ponto embrulhado nas coordenadas do silêncio

percebe-se pelo movimento lento

que a parábola incendeia o pequeno quadrado

lá dentro o medo

viver ele

enquanto desenho na ardósia tarde

o significado das imagens nocturnas do prazer

o corpo é um pesadelo sem porto onde aportar

viver ele

no mar

e cansa-se do rasurado veneno que o vento semeou

 

a carta regressa

endereço insuficiente

ausente

talvez morto

talvez contente...

no mar

o luar pincelado de andorinhas marés

e ele

sempre ele

viver ele

e cansa-se

não o devia fazer

 

fugir

sem...

sem deixar um bilhete sobre a secretária

ou

ou apenas um traço no espelho embaciado da casa de banho

eu percebia

ausentou-se

foi-se

nunca mais voltará aos livros...

nunca mais acordarão as vozes das sílabas embriagadas

nos sonhos

da alvorada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 13 de Março de 2015

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