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Cachimbo de Água

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Quatro esquinas de paixão

Francisco Luís Fontinha 11 Fev 14

foto de: A&M ART and Photos

 

A face oculta do silêncio entre quatro esquinas de paixão,

o sofrimento que cresce, que dorme... que alimenta o cansaço do triste Inverno,

as três pedras da literatura que habitam sobre ti como rios indomáveis, doentes...

como solidões prisioneiras nas árvores do medo,

a face da maré envenenada quando os peixes voam na cidade do inferno,

quando o vento bate na tua janela e cedo percebes que a madrugada não existe,

que ela não é mais do que uma sílaba tonta nos lábios de um homem de palha molhada,

que hoje me sinto tão cansado... que perdi a minha face na lareira do fim de tarde,

 

A face tua que me deixa nas penumbras luzes dos holofotes de areia,

a palavra não dita,

esquecida,

a palavra maldita que transportas na tua boca...

 

Que hoje, hoje pareço um farrapo mergulhado em fenol...

 

A face planície das gaivotas de porcelana,

às tuas mãos o distante caminho da esperança,

acreditas,

e fazes-me acreditar nos lençóis de amianto,

nas flores em papel crepe,

no orvalho,

e na geada envelhecida das noites sem poesia,

e o poema morre nos teus olhos de vidro...

 

 

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 10 de Fevereiro de 2014

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