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Cachimbo de Água

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Porta do Silêncio

Francisco Luís Fontinha 4 Abr 13

foto: A&M ART and Photos

 

A última bebida da noite disfarçada de palavras

simples duas pedras de sílabas

e uns singelos lábios

como se a noite continuasse a viagem até à ilha dos livros

atravessando a porta do silêncio,

 

Tenho dentro de mim

o teu espelho de infância onde te olhavas e brincavas

e às vezes te esquecias de adormecer

de tanto te olhares

e de tanto o teu corpo crescer,

 

O fim da história

do livro e do poema e da vida

sempre o derradeiro fim como a encerrada solidão

sem que a mão humana consiga abrir as janelas do sonho

como fazem os peixes quando descem ao fundo do rio,

 

O fingimento da felicidade

dos sorrisos falsos em falsos lábios de falsas cabeças

a dor quando o corpo transpõe a fronteira da loucura

e se vai sentar no banco de uma enfermaria com plátanos encarnados

e olhos azuis embrulhados em gotinhas de água,

 

Tudo à minha volta é falso

o dia e a noite e a liberdade e a Primavera que só existe em literatura

o falso amor com falsos sorrisos em falsas dores

com falsos juízos

mas tudo tudo é cor que dorme na tela do sofrimento...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

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