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Cachimbo de Água

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Gaivota poema

Francisco Luís Fontinha 9 Mar 12

Oiço-te na finíssima noite de inverno

Agachada na solidão transversal do néon doente

Oiço-te da janela invisível do sótão

Entre fendas e gemidos de orvalho

Oiço-te quando puxo de um cigarro

E sinto o meu corpo misturar-se no fumo

As minhas mãos começam a emagrecer

Como o papel de parede

Como o livro mergulhado na insónia

E pergunto-me Que fazer?

Quando as palavras que oiço

São como a água de um rio

Que apressadamente corre para o mar…

Oiço-te no cansaço dos sonhos

E barcos travestidos dançam sobre uma mesa

Em Cais de Sodré

Olé

Pois é

Oiço-te suspensa no teto

E da claraboia do sono

Desces até mim

 

(Oiço-te na finíssima noite de inverno

Agachada na solidão transversal do néon doente

Oiço-te da janela invisível do sótão

Entre fendas e gemidos de orvalho)

 

E da claraboia do sono

Adormeces flor selvagem

Abelha que poisa no fumo do meu cigarro

E se alimenta dos meus lábios

Oiço-te… Oiço-te dentro do meu peito

Gaivota poema

Na minha cama

Em chama

 

Oiço-te na finíssima noite de inverno

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