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Cachimbo de Água

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giba da paixão

Francisco Luís Fontinha 9 Dez 13

foto de: A&M ART and Photos

 

brincava com as dúcteis tuas mãos de porcelana

vivia em nós o espelho giba da paixão

e sabíamos que das barcaças tontas dos malignos jacarés de palha...

palavras em fogo atravessavam os nossos corpos

eram agulhas de desejo

como serpentes envenenadas da selva dos beijos embriagados

comíamos coisas fúteis

bebíamos líquidos esbranquiçados com duas simples pedras de gelo...

a tua mão tremia

abraçada à tua voz de noz enfeitada com néons de linho nos cortinados vazios das esplanadas nocturnas de Belém... e os cacilheiros dentro de ti

choravas e uivavas...

e apitavas...

 

percebia-se nos teus olhos o romper da madrugada

e o regresso das chuvas invisíveis com sabor a procissão desalmada

brincava

choravas

e vivíamos encalhados numa tenda de circo

com asas metálicas

e nariz em fibra-de-vidro...

não não éramos um avião

e vivia em nós o espelho giba da paixão

um fino sabor a hortelã vagueava no teu rosto desenhado no xisto de prata

e da lareira

uma nuvem de sofrimento fundia-se como chumbo no prato fundo da ribeira dos tristes orvalhos...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 9 de Dezembro de 2013

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