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Cachimbo de Água

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O caçador de Grilos

Francisco Luís Fontinha 21 Mar 13

Apetecia-me caçar grilos, acordou a bela Primavera, as palavras são grátis, apetecia-me, correr sobre os carris inanimados, moribundos e doentes, ou

Cansados,

Estás cansado meu querido?

Sim, talvez, sou capaz,

Cansado de caçar grilos onde à partida, nãos os há, emigraram para outra planície, partiram de mochila às costas, ombros em punho, Oiço-a (Ana Drago a falar para o boneco), porque os grilos, fugiram, emigraram, oiço na Antena 3 qualquer coisa relacionado com Filosofia, deve ser o tema da Prova Oral, mas mal oiço a palavra Filosofia

Doente, sabes o que tenho, estou doente,

Vou caçar grilos, tanto me faz que sejam do António, do Zé do Do ZIZIARINHO, interessa-vos o dono do grilo?

E claro que ela tem razão, gosto de a ouvir, mas neste momento estou mais interessado na caça voraz aos grilos dos terrenos baldios, lembro-me

Ainda te lembras, meu querido?

Gri Gri Gri tua casa não é aqui, e eu, parvalhão, de palhinha na mão a masturbar um buraco, outro parvalhão dizia-nos

Se urinarmos para o buraco ele sai, diga-se, diga-se o referido grilo, mas

Não saía, o gajo só não saía como certamente não estava lá, ela tem razão no que diz e eu gosto de a ouvir, e já na altura os grilos eram teimosos, mentirosos, fingidos, e já na altura

Meu meu querido, amas-me?

Claro que sim meu grilinhos, claro que sim,

Perdão?

(ah... o grilo não é do António, ah... o grilo não é do Zé, ah... então o grilo é do ZIZIARINHO?)

Pedimos

Perdão

Pelo sucedido,

Dentro de momentos voltamos à caça dos famosíssimos grilinhos das esparsas ruas com legumes e fruta da época, valeu-nos o regresso do outro, que com a sua voz melódica, todos, mas todos

Os grilos saíram da toca,

Ah,

Depois vinha o meu grande amigos dos Sorrisos, de mãos nos bolsos, olhava-me e em termos visuais quase nulos, dizia-nos

Não podem gritar nem ser agressivos com a palhinha no buraco, assusta-os, e a esta hora

Que tem a hora, pá?

Estão a sonhar,

A sonhar? Mas ouve lá oh risinhos, Os grilos sonham?

Claro que sim, os grilos, os pássaros, as árvores e as couves e os rios

E já agora, as pedras, não?

Claro que sim, também sonham,

Apetecia-me caçar grilos, acordou a bela Primavera, as palavras são grátis, apetecia-me, correr sobre os carris inanimados, moribundos e doentes, ou ouvir-lhe todos os discursos, ou

Pedimos perdão pelo sucedido, o texto segue dentro de momentos,

(ah... o grilo não é do António, ah... o grilo não é do Zé, ah... então o grilo é do ZIZIARINHO?)

Não, não venhas, não, não urines para o buraco

Parvalhões

Gri Gri Gri tua casa não é aqui, e claro que sim, sonham, como nós, e vós, ou

Pedimos perdão pelo sucedido, o texto segue dentro de momentos, os carris seguem dentro de momentos, alguns nunca mais seguirão porque uns parvalhões quaisquer tiraram-os, venderam-os, sucata, palavras malvadas nas algibeiras clandestinas da saudade, porcarias, estradas entre a noite e os queridos apaixonados pelos mais belos poemas de amor

Gostam de Amor?

Simmmmm...

E hoje,

Hoje?

Deixaram de passar comboios onde antigamente havia buracos, nesses buracos viviam grilos, esses grilos cantavam, e de mãos da algibeira regressava o meu grande amigo dos sorrisos, olhava-me, e dizia-me com se estivesse a escrever apaixonados lábios na seara de trigo

E respeitosamente,

Dizia-me

Não podem gritar nem ser agressivos com a palhinha no buraco, assusta-os, e a esta hora

Que tem a hora, pá?

Estão a sonhar,

A sonhar? Mas ouve lá oh risinhos, Os grilos sonham?

Claro que sim, os grilos, os pássaros, as árvores e as couves e os rios

E já agora, as pedras, não?

Claro que sim, também sonham,...

 

(ficção não revisto)

Francisco Luís Fontinha

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