Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

24
Nov 15

Esta jangada que me transporta

Para os teus braços de alento

Sem água

Sem vento

Esta jangada morta

Na planície do pensamento

Espera o regresso da noite

Ergue-se no limiar da pobreza

Como se a beleza do corpo ardente

Fosse uma estrela em papel

Desfeita em pedacinhos

Na solidão fogueira…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

terça-feira, 24 de Novembro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:29

16
Mar 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Dizias-me que eras o vento das canções de Outono,

e eu, eu acreditei, escrevi palavras para essa canção...

desenhei beijos para os teus lábios,

dizias-me que te chamavas “menina do mar” de do mar... não eras nada,

nem onda, nem pôr-do-sol... nem jangada,

um dia fizeste-me acreditar que eras livro de poesia,

eu tentei, tentei ler, folhear... e não eras nada,

apenas uma esbranquiçada página com um palavra... “saudade”,

dizias-me que tinhas na mão a caneta das minhas palavras,

eu, eu sentia-a no meu rosto, como o vento das canções de Outono,

e eu, eu acreditei na tua pele com flores de papel,

e tudo o que me disseste... hoje, hoje escrevo-o na rocha embalsamada na montanha do “adeus”.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 16 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:41

19
Set 13

foto de: A&M ART and Photos

 

trazias nas mãos uma jangada com olhos castanhos

cansavas-te com o olhar das crianças

e dos pequenos botões de rosa

 

trazias dentro de ti um cubo de faces rosadas

dos pobres lábios ensanguentados pelo bâton uma lâmina de tristeza

absorvia a tua boca enlatada

como uma conserva

esquecida numa qualquer prateleira da despensa

 

sentia-te vociferar debaixo do sombreado fantasma

agarrado a uma pétala fotográfica

e a preto-e-branco

o fotografo vestido com sais de prata

alicerçava os pobres desejos da madrugada

 

(trazias nas mãos uma jangada com olhos castanhos

cansavas-te com o olhar das crianças

e dos pequenos botões de rosa)

 

e sabia-te enlouquecida quando te embrulhavas nas marés de areia

e corrias

e brincavas num corredor longo e estreito e alto

choravas parecendo a chuva desencadeada pelos sorrisos adormecidos

dos tristes minguados sonhos que a infância assassinou

 

trazias nas mãos a jangada da paixão

escrevias nos absolutos números complexos as amêndoas com chocolate

que o vento imaginava

e não sabendo que o cacimbo lhe pertencia...

ela adoptou como filha a doce menina equação diferencial

 

ela é a integral tripla dos seios loucos com voz de rascunho

sente no corpo o aparo da caneta de tinta permanente

acaricia-lhe as coxas como quando se folheia um livros de poesia...

e as palavras saltitam como gotinhas de suor na face alegre da Lua

ela é a integral que transporta na mão a jangada com olhos castanhos

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:04

05
Jan 13

A todas as palavras frágeis

que desenhei na tua boca

quero-as de volta à minha mão deserta

morta

 

confusa porque o meu coração

sente o silêncio das rochas mergulhadas no mar

um peito arde e esfumaça-se na lareira da saudade

como todas as flores que viviam nos jardins da Babilónia

 

arderam morreram simplesmente subiram aos céus

e encontraram

morta

A todas as palavras frágeis

 

que desenhei na tua boca

a louca

porta

que se esconde nos teus abraços lilases

 

poucas

como as jangadas que se suicidam no lago da amoreira

troncos finos de árvores cansadas

tombam

 

incham

e em ais sobejam dos lábios em poesia

sentia que sinto ainda as palavras poucas

nas frágeis manhãs de Primavera.

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:23

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