Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

26
Ago 11

 

Passeava-me pelo jardim Dr. Matos Cordeiro e não queria acreditar, à primeira vista pensei que fosse alguma alucinação devido aos caixotes do lixo que há vários dias não são despejados, mas não, não se tratava de nenhuma alucinação, e é verdade, este senhor estava sentado num dos bancos e com ar pensativo, um pouco abatido, mas ao que parece, bem de saúde,

 

Sentei-me, ele olhou-me com indiferença, e depois de algumas frases que fiquei sem perceber ouvi da boca dele que Em quarenta e dois anos só agora perceberam que eu era e sempre fui um ditador, Em quarenta e dois anos só agora perceberam que sempre fui e sou louco, E em quarenta e dois anos que sempre me receberam de braços abertos em todo o mundo e me deixavam montar a tenda e fechavam os olhos às minhas loucuras só agora descobriram que eu não presto,

 

Eu olhei-o, parei num dos caixotes do lixo, levanto os braços e coloco as mãos na cabeça, e disse-lhe Sabe, enquanto precisam de nós toda a gente se deita aos nossos pés e toda a gente diz que somos bons meninos, Ele é muito bom menino, ouvi-o eu tantas vezes, não referindo-se a si, mas a outros, mas quando já não interessamos, quando não interessamos dizem Ele é louco, Ele é ditador, Ele fala porque está desempregado,

 

É a vida, Senhor Coronel,

 

Deixaram de precisar de si.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 16:20

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