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Cachimbo de Água

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Os textos loucos nas paredes de betão

Francisco Luís Fontinha 7 Jan 13

Tínhamos uma árvore de papel

das palavras com sabor a prata

tínhamos uma sílaba de lata

com pingos de mel

e nas tardes em silêncio que brincávamos com o mar

tínhamos um punhado meigo de melancolia

e versos de amar

que cantávamos até nascer o dia,

 

Tínhamos que ainda não esqueci

a harmonia

que às vezes disfarçava-se de alegria

e outras tantas vezes inanimadas

vi

e senti

o sorriso das lindas madrugadas

que eu inventava nas planícies acorrentadas,

 

Às bocas submersas no cais das merendas (livro de Lídia Jorge, O cais das merendas)

e murmurávamos na língua escura da solidão

os sons do piano bar

com os poemas da paixão

antes do jantar

murchava o coração

e das mãos pegajosas os textos loucos que a luz escreve nas paredes de betão

que um louco aldrabão esqueceu na sombra de uma árvore de papel,

 

Tínhamos sabão

e óleo vegetal com sabor a pimenta

tínhamos o amor e os lábios pigmentados com sandes de salpicão

e mesmo assim

no jardim

tínhamos sexo dentro de uma caixa de cartão

comíamos sem sabermos que as viagens para Marte eram pingos de saliva da tua imaginação

antes de regressarmos à morte que adormece nas lamentações de uma triste sebenta.

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

Alijó

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