Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

12
Jan 20

(lavar a loiça, coisa e tal, arrumar a cozinha… decididamente, não tenho muito jeito para isto; sou melhor na poesia)

 

 

As cobras que habitam o meu jardim,

São silêncios de solidão,

São palavras suspensas na minha mão,

Dos livros absorvidos por mim.

As cobras que habitam o meu jardim,

São nuvens de espuma,

Brancura da vida,

No mar da despedida.

São transeuntes embriagados,

Ninhos de pássaro abandonados,

As cobras que habitam o meu jardim,

São a esperança de viver,

Estar calado,

Quando a Primavera acordar,

Sorrir,

E caminhar sobre os parêntesis do cansaço.

As cobras,

Que habitam o meu jardim,

São flores amestradas,

Papoilas envenenadas,

Pela geada,

Pela sombra da calçada.

As cobras,

Que habitam,

O meu jardim,

São lágrimas.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

12-01-2020

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:19

09
Jan 20

O corpo envergonhado pelo cansaço do amanhecer.

A tristeza das árvores que sombreiam o corpo envergonhado pelo cansaço do amanhecer.

As flores que atropelam o corpo envergonhado pelo cansaço do amanhecer.

As cinzentas cidades que abraçam o corpo envergonhado pelo cansaço do amanhecer.

O corpo envergonhado,

Atropelado,

Pelo cansaço do amanhecer.

O sangue que ilumina o corpo,

Circunflexa paixão,

Quando ardem as nuvens,

Cansadas do amanhecer.

O corpo vergado pela solidão,

No cansaço do amanhecer.

As mãos que sustentam o corpo,

Cansado pelo amanhecer.

O frio que beija o corpo,

O amanhecer cansado nas lâminas do corpo,

Que envergonhado pelo cansaço do amanhecer,

Chora,

Grita,

Morre,

Sem alma,

Sem vida,

Sem palavras,

O corpo uiva,

Levita…

No cansaço do amanhecer.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

09-01-2020

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:05

03
Jan 20

Gosto,

Do teu perfume impregnado nas palavras do poema,

Quando o mar me chama,

Quando a maré me leva.

Gosto,

Do silêncio teu corpo,

Em delírio,

Dentro de uma cabana.

Gosto,

Dos livros que leio,

Das mãos que me acariciam,

E a madrugada ainda vem longe.

Gosto,

Do apito do petroleiro,

Fundeado nos teus seios,

Derramando gotículas de saliva…

Gosto,

E adoro,

Do significado transparente da tua sombra,

Quando o mar está bravo,

Quando o mar se veste de tempestade…

E morre com a saudade.

Gosto,

Da solidão das tuas mãos,

Porque, meu amor,

Gostar,

Pertence aos poetas,

Escritores,

Pintores…

Gosto,

De todos aqueles que amam,

Sofrem…

E sorriem,

Em frente ao espelho do cansaço.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

3/01/2020

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:04

15
Dez 19

Sem Título.jpg

 

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:13

07
Dez 19

Não sei!

Não sei o que é adormecer,

Sorrir,

Sonhar,

Ou simplesmente viver.

Porque tu existes, e vais partir,

O Sol acordar,

Não sei que sei que chorei!

Ninguém quer saber,

Nem importa o que vamos fazer,

Se faz Sol ou está a chover,

Ou corremos sem correr…

És flor adormecida,

Muito bela e querida…,

Manhã submersa esquecida

Á procura da vida.

Pétala de ternura

Eterna brancura,

Olhar cansado com bravura,

Que se despedaça de grande altura…

Não sei!

Não sei o que é voar,

Viver,

O que são electrões,

Pensamentos metalúrgicos ao acordar,

Treliças que quero esquecer.

Fundem-se protões,

E de tanto te olhar…, me cansei!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Para publicação

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:38

01
Dez 19

Habito neste labirinto de lata.

Desta pobre sanzala abandonada.

Habito neste corpo de ossos,

Alicerçado às muralhas dessa pobre calçada.

Habito neste corpo de chapa,

Cansado da tristeza.

Vejo-me no espelho da beleza…

E apenas observo sombras, linhas rectas envergonhadas.

Habito neste poeirento cansaço,

Nas tardes infinitas,

Que os meus lábios vomitam…

Palavras malvadas.

Palavras bonitas.

Habito no teu cabelo desgovernado pela doença,

Entre gemidos e demência,

Habito na tua boca engasgada na madrugada,

Quando o silêncio não é nada,

Quando a vergonha,

Envenenada,

Dorme na tua mão calcinada.

Habito, meu amor, neste palácio assombrado,

Dentro de livros com personagens moribundas,

Entre xisto e calçado,

Nas montanhas fundas.

Habito.

Habito nos duzentos e seis ossos Outono,

Quando as árvores se despem, e o teu corpo, longe do mar,

Enaltece a maré de chorar.

Habito sem parar,

Neste labirinto do sono.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

01/12/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:27

28
Nov 19

Subo vertiginosamente as escadas da saudade.

Pego na tua fotografia, recordas-me um sorriso de nylon.

Amanhã, vou partir para o infinito amanhecer.

Sem perceber,

Que dentro da saudade,

Habita o beijo.

Abraço-te no invisível tempo,

Como uma barcaça desnorteada junto ao cais.

Finjo.

Minto.

Escrevo-te, sabendo que nunca me vais ler…

Porque os esqueletos não lêem…

Nem choram.

Subo vertiginosamente as escadas da saudade.

Sento-me no teu colo,

Preciso dos teus mimos,

Preciso de tocar nas tuas mãos…

Enquanto seguras religiosamente o terço da esperança.

Não vou dormir,

Enquanto, lá fora, chove.

Tenho medo da chuva.

Tenho medo da claridade,

E só a noite,

Consegue alimentar estas tristes paredes de alvenaria…

Grito.

Ouves-me?

Não.

Não me ouves.

E eu oiço os teus gemidos esquecidos num quarto de hospital,

Oiço o cansaço da tua voz…

Que me dia;

Amo-te, meu querido.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

28/11/2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:02

19
Jun 19

Os teus olhos são o poema.

O poema escrito nos teus lábios de amêndoa,

Quando cai a madrugada,

E a geada,

Engorda,

Não aguenta,

O beijo feitiço,

Da tua boca envergonhada.

Os teus olhos são o poema.

O poema inventado numa noite de tristeza,

Fico triste eu,

Ficas triste tu…

Porque o luar,

Junto ao mar…

Deixou de nos pertencer.

Grito,

Escrevo,

Escrever,

Que quando te vejo,

Tremo,

Fujo,

Adormeço.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

19-06-2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:34

18
Jun 19

Observo os pássaros poisados na minha janela.

Converso com eles,

Contam-me estórias,

Lamúrias,

Contam-me os murmúrios da noite,

Quando se acendem as estrelas e cessa o dia.

Pergunto-lhes porque me visitam, se durante o dia não recebo uma única visita.

Pergunto-lhes porque me perseguem enquanto saboreio, à noite, o meu último cigarro, e, o meu último copo de uísque.

São chatos.

Cansados,

Choram,

Gritam,

E não sei o que lhes dizer…

O que se pode dizer a um pássaro abandonado?

Que está frio?

Que a noite é a coisa mais bela de se olhar?

Escrevo-lhes.

Não me respondem.

Mas olham-me.

Abro a janela, eles entram, são as primeiras visitas dos últimos meses, e, ficam tão felizes por eu lhes acariciar as penas de algodão da cabeça…

Pergunto-lhes.

Vamos escrever um poema?

Que não. Que a poesia é para lamechas.

Mesmo assim, escrevo-lhes.

Falei-lhes de um tal de Francisco, que em miúdo, puxava um triciclo com um cordel invisível por um quintal de Luanda.

Não acreditaram na minha estória…

Dizem-me que não existem triciclos.

Dizem-me que nunca estive em Angola.

Sabes?

Não.

Nunca vi o mar das oliveiras.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

18-06-2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:52

16
Jun 19

Constrói o teu tumulo no silêncio da noite.

Alicerça no teu sorriso todas as palavras da tarde,

Como se fossem cadáveres…

Suspensos nas arcadas da solidão.

Grita.

Corre.

Desce os socalcos até ao rio, senta-te, e, dorme.

Constrói o poema na tua mão,

Abraça-o e foge.

Leva contigo os lábios da madrugada,

Todas as lâmpadas da cidade,

Esconde-te na face oculta da montanha,

Para que ninguém te veja,

Observe,

Absorve,

Os telegramas das ruelas sem saída…

Todas as noites.

Todos os dias.

Constrói em ti os livros não lidos,

Os lidos,

E aqueles que não tens vontade de ler,

Porque são cansativos,

Monótonos…

Ou sorrisos de sofrer.

E nunca te esqueças que o amor,

Todo o amor,

É um espelho cansado,

Perdido na cidade….

 

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

16-06-2019

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:49

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