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Cachimbo de Água

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fantasmas do teu jardim

Francisco Luís Fontinha 5 Abr 14

lia no teu o olhar o cansado abismo

aquele homem vestido de naftalina com odor a solidão

eras um livro sem palavras, um livro só, descalço... um livro que todos apelidavam de saudade

lia no teu olhar o silêncio da sanzala de prata

meninos que inventavam amanheceres

e meninas que dormiam fingindo o cacimbo da dor

 

lia e não queria acreditar

que havia sofrimento nos teus desejados ombros

lia e não queria acreditar

que existia no teu rosto lágrimas de chorar

 

rochas embalsamadas, pilares de areia, zinco, zinco que embrulhava a tua mágoa

e eu, eu acreditava que eras em porcelana

pintada de rosa adormecida

e eu, eu acreditava que no teu jardim viviam fantasmas..., fantasmas... meu amor

podia lá ser

podia lá ser..., no teu jardim... fantasmas...

 

lia no teu olhar o triângulo equilátero da tua paixão

pegava nos teus ângulos, calculava o seno e o cosseno do teu mesmo olhar

aquele que eu lia

lia... e deixei de ler

fiquei cego, ou... simplesmente voaste em direcção à ponte sem treliças

e deixei de olhar

 

e deixei de viver

lia no teu olhar o poema envenenado pelo ciume

lia e não mais quero ler

ler... o que diz o teu olhar... meu amor

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 5 de Março de 2014

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