Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

26
Jan 20

As árvores deste jardim cansado,

Onde adormece o silêncio das palavras assassinadas por mim,

Há um luar desiludido,

Que grita às planícies do alecrim,

O poema desejado,

Entre versos e ossos embalsamados,

Vem a esta casa, o miúdo perdido,

Das montanhas húmidas,

A voz que alicerça a fome,

A rua que limita o olhar,

Sem nome,

Sem mar,

As árvores distintas dos pássaros, o medo de dormir,

Numa cama de pétalas encarnadas,

Nas veias, o orgasmo do cobalto,

A madeira envernizada,

Porque as lágrimas,

No rosto se perdem,

E fogem para o triste adormecer,

O vulcão quase a vomitar palavras de nada,

Sempre em alerta, sempre abandonada,

A casa,

O ódio madrugada da vida,

Entre correr,

Entre morrer,

Simples, assim,

Simples, simples, nada esquecer.

O mendigo que corre na calçada,

Desejado por uns, amaldiçoado pela namorada,

Escreve-me,

Oiço-o,

Na alvorada.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

26/01/2020

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:17

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