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Cachimbo de Água

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A água límpida da manhã

Francisco Luís Fontinha 4 Jun 11

Cada milímetro quadrado

Do teu corpo na sombra da minha mão

Em cada rosa encarnada

Silêncios que na manhã submergem e se afundam em ti

Sílabas dispersas que nos teus seios fazem frases

Palavras que dentro das tuas coxas sorriem-me

Saltitando de sombra em sombra

Gaivota que nos teus lábios acorda

E dos teus dentes pregados no meu ombro…

Um veleiro se movimenta

E se abraça no vento em tempestade

Embala-se nos teus braços âncora do fim de tarde,

 

Cada milímetro quadrado

Do teu corpo um centímetro de desejo

Dez miligramas de pequeníssimas gotas de suor

E sinto o teu calor

 

Quando te sentas sobre mim

Do teu corpo na sombra da minha mão

Do teu corpo os meus olhos suspensos no tecto

E eu olho pela janela

E lá fora dentro de um espelho mágico

Acorda a noite e adormece o teu corpo desejado,

 

Cintila o dia nos lençóis onde poisamos

Os nossos corpos

E entre nós separa-nos a cumplicidade

O prazer de escrever palavras no mar

 

A maré transporta-nos para a ilha

E tu fundes-te em mim

E os nossos líquidos

São um rio que corre ao contrário

 

Sobem a montanha

Desaguam na nascente

E entramos na gruta que o dia de ontem nos trouxe

A água límpida da manhã

 

 

 

Luís Fontinha

4 de Junho de 2011

Alijó

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