Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Cachimbo de Água

MENU

O perplexo sentido da fuga do corpo em translação

Francisco Luís Fontinha 25 Nov 15

O perplexo sentido da fuga

Do corpo em translação

O abraço submerso

Nas marés de ninguém

Acordar

Acender o último cigarro da vida…

Escrever o poema nas tuas pálpebras incendiadas pelo desejo

Que só a minha mão o sabe fazer

Ler-te o último parágrafo do meu livro

Oferecer-te um beijo

E partir sem regresso

Ao teu olhar

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

quarta-feira, 25 de Novembro de 2015

as oito esquinas do medo

Francisco Luís Fontinha 29 Nov 13

foto de: A&M ART and Photos

 

deixarei de pertencer aos teus olhos

e vagamente... deixarei nas tuas nuvens de algodão o cigarro fantasma

deixarei de adormecer nos teus cabelos como o fazia antes das madrugadas serpenteadas

nas oito esquinas do medo

ouvirei perfeitamente as tuas mágoas...

terei o leve cuidado de acariciar os teus lábios

e

deixarei de voar nas tuas lágrimas de maré embriagada

e vagamente transformar-me-ei na cinza do teu imaginário cinzeiro

haverá uma janela engomada

com cortinados de fumo

e haverá... uma língua endiabrada pernoitando no meu angustiado peito

 

servirei de teu mordomo devidamente fardado

andarei pelos corredores da tua imaginação levitando sem tocar nos objectos de adorno

sentirás dentro de ti o meu vagabundo corpo

e nada conseguirás fazer para cessarem os teus sinceros gemidos

baterá o vento levemente nas ardósias dos tentáculos pinheiros de Carvalhais

ouviremos o sino engasgado nas sílabas das searas de milho

deitar-te-ás dentro do espigueiro...

e o teu ventre correrá em círculos na eira granítica do desassossego

amar-te-ei?

mesmo sabendo tu que sou um espantalho de aldeia

onde poisam os pássaros

e cagam os pássaros... sobre mim

 

sobre nós

deixarei os livros cansados das minhas mãos

dos meus olhos

às palavras... às palavras vou derramar-lhes o fogo do silêncio

embrulhado em pergaminhos sonos

e verei transversalmente o meu esqueleto no patamar da morte

ouvirei os teus casmurros beijos

como sentirei em mim os teus deleitados dedos

sujos

imundos...

transbordando sémen como caravelas esquecidas no Oceano dos vidros solitários...

e acabarei por pertencer aos ramos caducos do Outono

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 29 de Novembro de 2013

Navegantes sorrisos

Francisco Luís Fontinha 3 Jun 13

foto: A&M ART and Photos

 

Os desencontros dos navegantes sorrisos

da sua boca o desassossego em preguiça

os meus teus lábios voando sobre as calçadas do silêncio

entre medos

degredos

teus luxos segredos

quando um cortinado se esbanja à janela da solidão

e a tempestade avança contra nós e nos tomba no chão,

 

Os espelhos dos teus seios como coloridas manhãs de Primavera

havíamos plantado árvores de brincar

tínhamos bancos de sentar

como inventada madeira

saltitando nervos dos horóscopos aquários

eu vagabundo

eu imundo... sorrindo cansaços marasmáticos em saliva amanhecer

e oiço a tua sóbria voz no meu peito de xisto,

 

Tinhas na boca a minha boca em papel cremado

sentia a tua língua em poesia escrevendo versos no meu pescoço...

pegava-te na mão dilacerada e esperava pelas tuas doçuras coxas

inventávamos areia sobre os lençóis de linho

e desciam as estrelas sobre os nossos corpos em delírio

coisas em coisas como tinta numa tela encarcerada dentro da prisão dos húmidos desejos

e havíamos esgotado todos os livros e marés de ninguém

e tínhamos um cubículo de fome só nosso... como flores esquecidas na jarra sobre a mesa-de-cabeceira....

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

Sobre o autor

foto do autor

Feedback