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Cachimbo de Água

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equações de prata

Francisco Luís Fontinha 14 Nov 13

foto de: A&M ART and Photos

 

prometidas equações de prata nos olhos da cidade agoniada

da boca os sinceros mergulhos de solidão

como simples quadrados traçados no térreo pavimento do desejo

há nela uma janela com vidros de sémen

que caminham

e vivem no Mosteiro da insónia

prometidas coisas

sem sentido sem sentido...

simples

simples anexos de chita

sobre o nu travesti que as coxas do silêncio absorvem antes de terminar o dia

e prometidas linhas de fino ouro que atravessam as ruelas dos sonhos

e infestam de palavras as mãos ensanguentadas das mulheres-sombra

alimentam-se de pedaços papel e singelas migalhas de areia da algibeira da agonia

sentíamos os velozes corpos transatlânticos vestidos de aço como líquido esquelético dos alicerces de vidro

e amávamos-nos quando nos embrulhávamos nas montanhas das gaivotas em cio

prometidas equações que o teu corpo seduz como a Professora quando do aluno fantasma

ossos e pregos e madeira ressequida saltitam no recreio da escola

há árvores sobre os diques do prazer quando ejaculam as searas os palhaços de trapos de cetim

e amávamos-nos sobre quatro rodas em movimento curvilíneo

um pêndulo e um cordel

e tudo o que nos restou da tempestade de zinco aos telhados engrenados no teu ventre

chovia enquanto desenhávamos sexo nas frestas do gesso

às paredes argamassadas das esquinas iluminadas pelo teu olhar de manteiga...

 

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 14 de Novembro de 2013

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