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Cachimbo de Água

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De que me serve escrever

Francisco Luís Fontinha 7 Ago 11

Escrever não me serve de nada, escrevo para me manter suspenso à vida, e leio muito, também de nada me serve, mas enquanto leio a minha vida faz sentido,

 

Arrependo-me de ter estudado, e se eu fosse analfabeto era o homem mais feliz do planeta, se andasse a passear uma enxada, bebesse um garrafão de vinho por dia e se eu tivesse uma catrefada de filhos, mas infelizmente nem bebo um garrafão de vinho por dia nem catrefada de filhos para viver à custa da Segurança Social,

 

Assim, fodo-me porque ninguém tem pena de mim,

 

Meses depois de me ter inscrito no Centro de Emprego, e carago se eu não pensei que eles tinham morrido, pois nunca mais recebi notícias, mas estava enganado, estão vivos e de boa saúde, recebo agora um destacável “Na sequência da sua inscrição para emprego, informamos qua ainda não nos foi possível satisfazer o seu pedido de emprego. Se continuar interessado, queira devolver-nos este postal devidamente preenchido, no prazo de 10 dias a contar da data do correio. Se não responder procederemos à anulação da sua inscrição.”,

 

Assim, fodo-me porque ninguém tem pena de mim,

 

Mas adiante, a vida é uma roda que gira e gira e não se cansa de girar, e às vezes cai-nos um raio na cabeça e surge a oportunidade da nossa vida, e a melhor oportunidade da minha vida é sair deste país, conseguir a Nacionalidade Angolana, e terminar os meus dias onde nunca devia ter saído,

 

E pergunto-me, Como posso eu ter Nacionalidade Angola?,

 

Escrever não me serve de nada.

Ler muito de nada me serve.

Eu preciso é de muitos filhos,

E de um garrafão de vinho por dia,

 

Assim, fodo-me porque ninguém tem pena de mim.

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