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Cachimbo de Água

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Os teus olhos

Francisco Luís Fontinha 30 Mar 19

Os teus olhos são as cataratas do Niágara,

O cansaço do povo,

Os teus olhos são a luminosidade da saudade,

O silêncio prometido,

Alto,

Esguio…

 

Das parais encantadas.

 

Os teus olhos são a Primavera,

A mudança da hora,

Deste velho relógio,

Que adormece no meu pulso,

 

Quebrado,

Triste,

Cansado.

 

Difuso.

 

Os teus olhos, meu amor,

São a tempestade nocturna,

A cidade em chamas,

 

E das aldeias perdidas,

 

Nos teus olhos, meu amor.

 

Os teus olhos são o sorriso da madrugada,

A velha jangada,

Poisado na mão do rio…

 

Quando regressa a tarde,

Chorando,

Sem querer…

Chorando.

 

Meu amor.

 

Os teus olhos.

Saudade,

Dos beijos,

Na claridade,

Dos teus olhos,

Quando logo, mais tarde,

Eu, pegar nos teus olhos…

 

E dormir,

Com a saudade.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

30-03-2019

...

Francisco Luís Fontinha 24 Jun 18

Três dedos de conversa, uma chávena de chá, um livro poisado na tua mão, enquanto lá fora, muito distante de nós, uma cobra brinca na fina areia dos teus olhos.

Enquanto dormia, a flor do teu sorriso despede-se das pétalas envenenadas da noite, rosna o sorriso do lobo, rosna o silêncio da montanha, quando deitas a cabeça no meu colo…

São rosas, meu amor, são rosas os teus cabelos brancos.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 24/06/2018

 

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O cansado iluminado

Francisco Luís Fontinha 22 Jul 17

Regressa a noite e não quero abrir os olhos,

Prefiro adormecer junto à lareira apagada,

Porque acesa já ela está,

O cansado iluminado,

Sentado,

Lê…

Escreve em ti o que lê…

E não tem pressa de partir,

Porque a partida é tristeza…

Desenhada nas paredes do meu quarto,

Regressa a noite,

Regressa o vento…

E o iluminado,

Cansado,

Foge em direcção ao mar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 22 de Julho de 2017

Os teus olhos

Francisco Luís Fontinha 21 Mai 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Os teus olhos no espelho que poisa no meu rosto,

do cansaço adormecido das palavras anónimas,

tu, meu amor, sussurras-me baixinho que serei eternamente tua,

acredito,

acredito que há no teu jardim rosas envergonhadas,

acredito,

acredito que os olhos que habitam no meu espelho,

um dia serão as minhas estrelas vadias,

 

Os teus olhos que dormem nos meus lençóis,

sós,

a aldeia escapa-se entre os dedos da tristeza...

e acredito...

 

Ofereço-te o meu corpo embrulhado em poemas de miséria,

eternamente tua, eternamente... ausente de ti,

regresso ao espelho e descubro os teus braços na sombra dos meus seios,

afago os teus cabelos enquanto a noite se veste de menina desajeitada,

de menina... de menina de uma outra cidade,

ofereço-te o meu corpo como se eu fosse a tua flor preferida,

a árvore sob a qual te deitavas quando se inventavam em ti os sargaços da manhã,

e partiam os barcos para o luar como pássaros em busca dos filhos em voos infinitos,

 

Os teus olhos que dormem e sonham nos meus lençóis,

tão distante, tu, homem sem local para aportares...

ofereci-te os meus abraços,

e tu,

e tu fingiste não ouvir,

disseste-me que o cais serve apenas para a partida,

e partiste,

sem regressar nunca,

 

Como as palavras,

depois de extinta a fogueira da paixão,

ouvia o silêncio dos teus livros...

e nada mais tenho a acrescentar a ti e de ti,

 

Os teus olhos que nunca me pertenceram,

os teus olhos que brincavam nas minhas coxas antes de eu levitar em direcção aos sonhos,

cerravas-os e partias como uma tempestade de areia...

a ti e de ti,

as conversas inacabadas,

as palavras não escritas, e não ditas,

os teus olhos, os teus malditos olhos que iluminavam um cubículo de papel...

e tinham tentáculos que conseguiam beijar o mar.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 21 de Maio de 2014

Viagem ao centro dos teus olhos

Francisco Luís Fontinha 24 Mar 14

Verdes pergaminhos do amanhecer amargurado,

cintilantes madrugadas com sabor a desejo,

vagabundas manhãs infestadas de corações de mel,

viajo dentro de ti como os pássaros quando regressa a chuva miudinha,

verdes cansados beijos,

verdes lábios,

… boca dispersa na Primavera das flores campestres,

verdes olhos, verdes... verdes pergaminhos do amanhecer amargurado,

viajante solitário procurando abrigo, e um abraço se levanta do chão,

e dou-me conta que é noite,

cortinados cerrados...

e da tua janela... e da tua janela apenas uma sombra de silêncio.

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 24 de Março de 2014

criança dos teus olhos

Francisco Luís Fontinha 16 Fev 14

foto de: A&M ART and Photos

 

há silêncios nos teus olhos

existe uma mão que absorve as lágrimas dos teus olhos

tens cabelos semeados pelo vento que cerram os teus olhos

o medo que cruza os teus braços que aprisionam os teus olhos...

há silêncios nos teus olhos

há palavras que descrevem a cor dos teus olhos

imagens

negras

a noite

o dia

a morte... que brinca nos teus olhos

há silêncios de amor nos teus olhos

 

há silêncios de ciume nos teus olhos

searas campos montanhas árvores nuas

despidas cidades amargas ruas cansadas

que os teus olhos vêem e se calam como pedras silenciosas

há rios mares barcos e gaivotas

há desejo nos teus olhos

há corpos em cio que magoam os teus olhos

há madrugadas onde habitam os teus olhos

bares mesas de bares copos recheados de uísque em bares dos teus olhos...

jardins inclinados

tristes tristes como os teus olhos chorados

há seios que me esperam na criança dos teus olhos

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 16 de Fevereiro de 2014

Sem nome – o teu nome

Francisco Luís Fontinha 18 Jan 14

foto de: A&M ART and Photos

 

Não sei o nome dos teus olhos molhados

quando chovem pedaços de saudade nas pedras íngremes do silêncio

convenço-me que sou um corpo putrefacto esquecido nos pingentes húmidos telhados de vidro

sentindo as tuas mãos em aço

e submergindo nas tempestuosas águas que as palavras trazem depois de escritas

ditas e perdidas nas calçadas com flores apaixonadas pelos candeeiros envidraçados do medo

e na areia da paixão sei que vivem vogais vestidas de negro vendendo o corpo por três moedas...

sei que o teu corpo é um fóssil mergulhado nas quatro pedras de gelo do meu invisível uísque

sinto-as como carícias sombras nas páginas do livro de poemas à procura do barco dos sonhos

apitam e choram apitam... e gritam... e apitam... e gritam o apito da melancolia

e em loucas orgias de sílabas licenciadas em nuvens de sémen...

não sei o nome... dos anzóis da solidão.

 

 

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 18 de Janeiro de 2014

Olhos de água

Francisco Luís Fontinha 7 Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

São frágeis os teus olhos de água
Transparentes como a noite
Em cio
São castanhos, azuis, verdes… são olhos demónio
Tamanhos verdejantes dos abraços de um rio
São frágeis
Como a noite sincera de ti quando entras dentro do espelho
São teus os teus pseudónimos olhos vagueando na paisagem
Destino
Viagem
São eles
Tão frágeis…

E tão lindos quando as palavras se escrevem
E vivem
E crescem
Neles, os teus frágeis olhos de água,

Mágoa
A alvorada em travestidos sorrisos
A menina tem lume?
Juízo?
A menina ama?
É amada?
A menina… é tão linda
Como os seus olhos de água…

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

como o mar amar os lábios da paixão

Francisco Luís Fontinha 2 Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

dois viajantes vagueando sobre o silêncio da noite

comendo pétalas de chocolate embrulhadas em poemas desejo

como o mar

amar os lábios da paixão

quando estrelas dançam nos teus cabelos de porcelana,

 

dois viajantes apaixonados nas palavras invisíveis

folheadas pelas mãos tuas em desenhos sonhos amanhecer

comendo-me

comendo-te...

dois simples braços e mãos... entrelaçadas na alvorada,

 

o corpo arde na tela da insónia como acrílico sombreado das nuvens embriagadas

sobre mesas e cadeiras

sobre ti e sobre mim

o corpo

o teu corpo rodopiando ao som da garganta de um relógio de parede,

 

sonolento os olhos teus dançando nos versos da manhã

o medo entranha-se-te nos dedos sisudos

e a melancolia absorve-te as pálpebras encarnadas que o Sol esconde

e alimenta comendo-te

comendo-me... sem saber que éramos de brincar...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

A revolta dos lençóis de linho

Francisco Luís Fontinha 25 Jun 13

foto: A&M ART and Photos

 

Olhos, eu? Não os tenho... são apenas pedaços de xisto vagueando ente os socalcos do Douro e a imaginação invisível do sonho de voar..., uma velha metralhadora dispara sorrisos contra a parede de vento que separa os quintais, um pertence ao palhaço rico, e o outro, como nem podia ser de outra forma, é propriedade do palhaço pobre, quando criança queria ser palhaço, trapezista... ilusionista, qualquer coisa que rimasse com circo, qualquer coisa que me fizesse deslocar de terra em terra, e nunca, nunca ser pertença de nenhuma, não ter terra, não inventar rimas quando vinhas à janela, olhava-te e sorriamos como crianças entrelaçadas nas aranhas dos livros de banda-desenhada, imagina que eu fosse o circo, uma roulote, uma fera indomável, correndo e comendo carne até adormecer,

Imagina-me de bicicleta entre sombras de mangueira e gargalhadas de plátanos, imagina-me, não à janela do primeiro andar, mas... num rés-do-chão sobre rodas,

Imaginava-me prisioneiro a uma corda sem princípio nem fim, eu, um palhaço, um trapezista ou um malabarista engolindo fogo e vomitando pedaços de vidro, imaginava-me acorrentado aos abraços de alguém, que quando chegasse no final da noite,

Estou enjoada,

E eu confortava-a dizendo-lhe que provavelmente era do trapézio, ela olhava-me e sorria

E ente silêncios,

Do trapézio... Parvalhão que não percebe,

Nunca, quando chovia, nunca, quando montávamos a tenda e debaixo dela centenas de crianças, sorrindo, comendo pipocas, gelados, nunca, quando eu no palco travestido de cigana lançava-me às feras, elas diziam que eu

Do trapézio... Parvalhão que não percebe,

Disparam-se sorrisos contra a parede de vento, revoltam-se os lençóis de linho das nossas avós, e ardentemente, faço uma pequena sesta na minha infame roulote, e o melhor local para arquivar determinadas mensagens é sem qualquer dúvida a pasta “LIXO”, e enquanto me esticava no pouco espaço da roulote, olhava-me suspenso no tecto, e percebia que nunca seria eternamente criança, e que um dia a vida artística terminaria, deixaria de ser o trapezista, deixaria de ser o palhaço pobre, deixaria de ser o malabarista... e de to e sempre, deixaria de ser o menino do mar, e perguntar-me-ia

Do trapézio?... Parvalhão que não percebe,

E que não, nunca percebeu, e ainda hoje acredita que os olhos são apenas pedaços de xisto vagueando ente os socalcos do Douro e a imaginação invisível do sonho de voar...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

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