Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

18
Jan 15

Absorvo o tesão intelectual,

tenho nas palavras o orgasmo da insignificância,

os momentos perdidos nos teus braços...

não me esperes hoje, meu amor,

sinto a maré do teu sémen voando entre personagens invisíveis...

e equações matemáticas,

apaixonadas,

pois claro,

e ainda,

o prometido automóvel do sorteio da TV,

e no entanto, sofres,

com a minha ausência.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Sábado, 17 de Janeiro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:23

01
Jan 15

(desenho de Francisco Luís Fontinha)

 

 

deixei de sentir a tua fotografia nos meus lábios

vi uma lágrima de vácuo galgando o teu rosto

em direcção ao mar

pertencíamos aos peixes sem asas

brincando sobre a árvore das palavras

havia uma tempestade de aço

sobre as tuas pálpebras amordaçadas

e não sabíamos que o amor era um fugitivo

um cadastrado destino

um homem suspenso na gravata dos cintilantes amanheceres

um cadastrado destino

acorrentado à tua fotografia

sem tu o saberes

perdemos os abraços

os beijos

e as caricias defeituosas da madrugada

perdemos o orgasmo literário de uma janela em Belém

sem tu o saberes

a noite construída de infinitos gemidos

e nem tempo tivemos para desamarrar o luar que nos cercava...

o fugitivo amor

um cadastrado destino

a noite construída de mimos

e armadilhas

e simples ruínas

como o vómito da cidade depois de acordar...

sem tu o saberes

o exilado casaco de couro balançando na ponte da angústia

o cheiro sulfuroso das avenidas em flor...

e da tua fotografia que vivia alicerçada aos meus lábios...

nada

desapareceu na neblina

talvez cansada

talvez... talvez

talvez ensanguentada nas mãos em ciúme.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:13

25
Dez 13

foto de: A&M ART and Photos

 

A colegial sem nome que esconde os lábios na madrugada

o livro da colegial dorme como uma criança cansada

o cansaço inventa sorrisos nas mãos do desejo

e este

às vezes como um poço sem fundo

também como a colegial

sem nome

voa sobre as praças com candeeiros de prata,

 

Os lábios foram-me oferecidos pela madrugada

e a noite constrói-se nas lágrimas da chuva

dos orgasmos fingidos

que a colegial também esconde

não na madrugada

não no corredor da morte...

mas... mas esconde-os na alma do Diabo

como pétalas de insecto mergulhadas nas manhãs de Inverno,

 

A colegial é transparente

é imóvel

saboreia-se nas candeias que o destino lhe roubou

ela desconhece que a lareira existe apenas para a aquecer

despe-se para o espelho...

a colegial sem nome diz que quando for grande quer ser uma fotografia a preto-e-branco

perplexa

descobre o veneno dos zincos telhados que acordam a criança cansada...

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 25 de Dezembro de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 20:37

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