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Cachimbo de Água

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Os barcos enrolam-se no meu corpo

Francisco Luís Fontinha 8 Abr 11

Os barcos enrolam-se no meu corpo

Sinto o peso da água

No fundo do oceano

Os barcos agarram-se às minhas mãos

E puxam-me

E não me deixam respirar

 

O meu corpo aos poucos

Não corpo

Um barco afundado

Nas sombras da noite

 

Um barco eu

Sem leme

Um barco eu

Sem velas

 

Preciso de gritar

Deixei de ter garganta

Nem guelras…

E na boca circulam-me safiras

Coxas de mulheres com cio…

À espera do desejo de um crucifixo pendurado na maré

 

Há peixe frito

Com feijão-frade

Pataniscas…

E outra merda qualquer

 

Não me apetece comer

Os barcos enrolam-se no meu corpo

Sinto o peso da água

Sinto a corda que me esgana

 

E me Sufoca na multidão

Atiram-me com pedras

Levo com os vapores de nafta

Nos olhos que aos poucos se enterram junto ao cais

 

O meu corpo aos poucos

Não corpo

Um barco afundado

Nas sombras da noite

 

E a corda pronta para me suicidar

À minha espera pendurada no silêncio

Os barcos enrolam-se no meu corpo

Sinto o peso da água

No fundo do oceano

À espera do desejo de um crucifixo pendurado na maré.

 

 

FLRF

8 de Abril de 2011

Alijó

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