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Cachimbo de Água

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Esqueletos de seiva mergulhados em corpos de espuma

Francisco Luís Fontinha 8 Nov 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Não se importa se é navegável nas horas anti-expediente, não me interessa se quando vem a noite, ela, se veste de tempestade, não tenho o direito de interferir nos pensamentos das flores, não me sinto na obrigação de abraçar os candeeiros desertos da cidade dos bosques evaporáveis nas horas nocturnas, não me importa se é navegável, supérfluo ou admirável, não tenho o direito de questionar a origem dos arbustos que circundam o quintal nem tão pouco se as mesas em granito do jardim estão vivas, mortas... ou

Esquecidas?

Ou...

Esqueletos de seiva mergulhados em corpos de espuma,

Vejo-te insignificante morte vestida de dor, há lágrimas no teu olhar que travestem os olhos de qualquer beldade, há mulheres de corpo esbelto e lágrimas de papel e há papel com lágrimas em corpos de

Papel?

As nuvens,

Os holofotes que iluminam as nuvens

Papel?

Os telhados da insónia na tua desgovernada manhã de inércia, os teus braços nas minhas mãos de porcelana e no entanto

As nuvens,

E no entanto vejo-te clarear como cinzentos mergulhos de estátua nas profundezas do rio ancião quando dos antigos veleiros sem nome navegavam

O meu corpo?

Berbigão mexendo as tuas doces noites de Inverno, sabíamos que amanhã não tínhamos os alicerces das avenidas novas, que amanhã deixávamos de nos conhecer e passávamos um pelo outro e

Desculpe, conheço-a?

Claro que não,

E no entanto vejo-te clarear como cinzentos mergulhos de estátua nas profundezas do rio ancião quando dos antigos veleiros sem nome navegavam

O meu corpo?

Navegável, profundo, em rocha maciça, em pedestal poético abraçado a directrizes articuladas com beijos e orangotangos malignos, mafiosos os corredores da loucura, as injecções levavam-nos para os jardins inventados pelos homens de bata branca

Como será o Sol quando acorda?

Desculpe, conheço-a?

Claro que não,

Os telhados da insónia na tua desgovernada manhã de inércia, os teus braços nas minhas mãos de porcelana e no entanto

As nuvens,

As tristezas travestidas de alegrias, as paixões vestidas de paixões com écharpe de insónia, e quase sempre preferíamos as sandálias em tiras de couro aos sapatos de bico amarelo, cantavas para mim, desenhavas no meu corpo gaivotas com sorriso de Infante adormecido, toca o telemóvel e alguém quer impingir-me a esta hora uma doce noite de prazer

“Acaba de ganhar uma viagem ao Bairro Alto”

E eu que acreditava nas viagens interplanetárias, e eu que acreditava nas

Meninas do sexo?

Estão em GREVE, GREVE GERAL...

“Acaba de ganhar uma viagem ao Bairro Alto”

E eu que acreditava nas viagens interplanetárias, e eu que acreditava nas navegáveis noites de espuma sobre colchões de areia...

 

(não revisto – ficção)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 8 de Novembro de 2013

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