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Cachimbo de Água

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Pedra de vinte e três faces

Francisco Luís Fontinha 31 Mar 11

Numa mão, tenho uma pedra de vinte e três faces,

(Ao som de Pink Floyd)

Na outra mão, uma corda imaginária,

Uma ponta ato-a à pedra de vinte e três faces

E a outra, passo-a pelo meu pescoço,

Rio-me perdidamente,

Dou um passo em frente

Direito ao abismo,

E curiosamente,

Não cai-o, fico suspenso; eu, a pedra,

E as vinte e três faces.

 

Concluo que deixou de haver gravidade,

Talvez deixe de haver gravidez,

Talvez…

Talvez os nove virgula oito metros por segundo

Voltem, talvez, a ressuscitar

Ao terceiro dia,

Talvez…

À minha volta, riem-se da minha figura,

Suspenso com uma pedra de vinte e três faces,

Uma corda, e o meu pescoço,

Para que me serve esta porcaria (pescoço),

Acima dos ombros

Abaixo da cabeça,

Apenas para atar uma corda…

E com uma pedra de vinte e três faces,

Ficar suspenso.

 

Voar.

 

Não foi a gravidade

Que deixou de acordar,

Não foram as mulheres que deixaram de engravidar,

Foi sim o teu olhar que me aprisionou,

(Não, não estou a falar de uma mulher)

E o meu corpo não resistiu

À tua força gravítica,

Possivelmente

Talvez…, brincando às escondidas, como uma criança

Em rotação pela infância,

Num qualquer buraco negro do universo,

Com verso

Conversando com o infinito.

 

És feito de tungsténio

Revestido a silêncios madrugada,

Sorris quando cada uma das tuas faces

Adormece na sombra da rotação

Da face anterior,

E tu, hipercubo da minha imaginação,

Olhas-me com carinho,

Medo de me perder;

Porque tu

Não dizes que sou louco,

Porque tu

Sabes ouvir-me quando preciso,

Porque tu

Sabes ler o fumo do meu cigarro,

Porque tu.

 

Porque tu

Deixas-me suspenso com uma pedra de vinte e três faces…

 

 

 

Luís Fontinha

Alijó

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