Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

12
Out 12

Pela pequeníssima fissura do meu peito

entra sorrateiramente o sol

e os pássaros da madrugada,

 

oiço-lhes os uivos rangidos da geada

caindo a noite sobre os cobertores da insónia

deixo de sonhar

e começo a ver desenfreadamente os soluços das palavras

em constante borbulhar de solidão

que os beijos constroem sobre as nuvens do mar,

 

descem dos teus doces lábios de desejo

as cancelas da dor embrulhadas em papel de incenso

e mirra

oiro

na mão vazia de um barco clandestino

moribundo

e oiro

às vezes quando do cansaço acordam os gritos dos homens embalsamados,

 

os meninos

deles

coitados

à janela do ciume.

 

(poema não revisto)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:54

30
Mai 11

A rua em movimento

Nas pessoas silêncios pendurados nos lábios

Tosse convulsa emerge da boca de uma árvore

E parvo eu

 

Que ainda acredito que o mar vem até mim

Acredito que da maré vão crescer desejos

Abraços no fim de tarde

E parvo eu

 

Tão parvo

Junto ao cais à espera de embarque

E parvo eu

Pedindo às gaivotas que os ponteiros do relógio cessem

 

Diminuam na claridade dos lençóis amarrotados

Quando a minha cama se recusa a adormecer o meu corpo

Quando no meu quarto as gaivotas

Poisam no meu peito

 

E do meu corpo acorda o cheiro a cadáver

A pó que o mar quer engolir

E parvo eu

Tão parvo

 

Indiferente à rua em movimento

Nas pessoas silêncios pendurados nos lábios

Das pessoas passos de monstro

Nas pessoas… sorrisos devastados.

 

 

Luís Fontinha

30 de Maio de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:03

30
Abr 11

Cresce-me no peito um peso imensurável

Trazido pelo fim de tarde

Cresce-me no peito o cansaço da solidão

Num campo de malmequeres

 

Corre um rio na minha mão

Que desagua no meu peito

Apertado pela dor

Espremido pela chuva

 

E corre apressadamente no relógio de parede

O peso do meu peito

O sufoco do dia que nunca mais termina

Sem fim…

 

Sem cor os meus dias pintados numa parede

E a parede esconde-se da luz

Fica negra

E geme no silêncio da noite escura.

 

 

Luís Fontinha

30 de Abril de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:57

22
Abr 11

Dentro do teu peito

Corre o rio em busca do mar

Brinca o teu coração

Brincadeiras de brincar

 

Dentro do teu peito

Deito-me em desejos

Quando os plátanos no fim de tarde

Fazem sombra no teu leito

 

Na tua cama deitada

O meu corpo suspenso na almofada

Dentro do teu peito a minha mão

Que procura a madrugada

 

E dos teus lábios

Evaporam-se beijos desejados

Que no teu peito

Poisam cansados…

 

 

 

FLRF

22 de Abril de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:02

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