Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

21
Mar 11

À espera de um olhar,

Um apenas; o teu.

 

E neste jardim

Onde me sento e descanso,

Longe de mim,

Esconder o que penso.

 

À espera de um olhar,

Um apenas; o teu.

 

Não tenho pressa de caminhar,

E se adormeço,

Não posso adormecer. Fico a sonhar,

À espera de um olhar,

Um apenas; o teu.

E não sendo o que pareço,

 

À espera de um olhar,

Um apenas; o teu.

O teu olhar que não mereço.

 

 

Luís Fontinha

Alijó/Portugal

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:58

Falta-me o sorriso de acordar

Nas manhãs da tua presença,

Falta-me o silêncio do mar

Infeliz à nascença.

 

Poeta vagabundo,

Imundo, miserável envergonhado,

Eu, homem sem mundo,

Ausente, odiado…

 

Cansado.

Falta-me o sorriso amanhecer

Que da noite brota o desalmado,

 

O eterno poeta fingidor…

Faltam-me os versos para escrever

Nas pétalas de uma flor…

 

 

Luís Fontinha

Alijó/Portugal

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:25

Olha…, vou contar-te uma estória

De quando eu era pequenino,

Franzino,

Muito menino,

Esquecido na memória.

 

Uma flor

Dançava na mão de uma donzela,

E ela, a donzela,

Sorria de tanto amor…

 

Dançava e corria

No jardim de ninguém,

E sempre que alguém

Aparecia…

Corria e dançava,

Sonhava

E corria,

 

E a flor

De tanto dançar,

Apaixonou-se, enlouqueceu de amor

Amor de sonhar,

Sem ondas de mar,

Com sonhos de maré, sem maré de sonhos,

Eis a flor,

Meu teu grande amor,

Amor dos teus lábios risonhos…

 

Mais tarde, no futuro longínquo, distante,

A flor espera pela sua donzela,

Espera sua amante,

Amor com amor se paga,

E se transforma em cinza, amarga, e cansada,

Esconde-se no infinito ausente.

 

 

 

Luís Fontinha

Alijó/Portugal

publicado por Francisco Luís Fontinha às 18:15

Apaixono-me pelo vento em construção

Nas ruas da cidade

Ao longe de mim ausente

A claridade do amanhecer

Quando faz amor com o rio que se esconde

Na tua mão aberta

Deserta

Que me esquece não me responde

 

Nas minhas veias entras ao acordar

Sonho cansado de adormecer

Em teus lábios de arco-íris

Cheiro a hortelã na minha cidade

 

O suor escorria-te

Pelos seios de mármore

E eu, sentado nas margens do rio,

Olhava-te como se fosses o meu veleiro

 

Mísero hóspede de mim

Foguetão em descolagem rumo ao teu olhar

- Estou cansado

Perco-me sem perceber a distância a que te encontras

Se é que ainda te encontras dentro de mim

Deixo todos os meus ossos no teu sorriso

Que me persegue me ilumina

E de manhã me vai acordar

 

Acordas-me da noite vigorosa amante

Do teu silêncio

Refém do teu destino

Promessa quando prometi amar-te

 

Mas não te amo

Não sei amar as ruas duma cidade

O vento em construção

Dissipa-se na minha paixão

 

Deixo os teus seios de mármore

Despeço-me do rio

Fujo da claridade que tu apontas para mim

Malditos semáforos das ruas desta cidade

Gaivotas empoleiradas nos teus cabelos

Com amanhecer embriagado pela tua voz

E sinto na minha sombra

A paixão do vento em construção

 

Sei que me escondo de ti

Aliada flor do meu cansaço

Tentando equilibrar o centro de massa

E no meio de papeis rabugentos

Procuro a equação necessária para te beijar

- É tarde estou cansado

As ruas da cidade adormecem no vento em construção

E tu, e eu, desistimos de sonhar…

 

 

 

Luís Fontinha

Alijó/Portugal

publicado por Francisco Luís Fontinha às 17:43

Abraço-me ao meu corpo cansado

Pela neblina das nove da manhã,

E num sorriso que perdi na noite de ontem

Vou procurar pegadas da minha sombra,

Luz de finíssimas escuridões

Surpreendem-me na madrugada

Que desistiu de me acordar,

E nos meus braços que me abraçam

 

O teu rosto ausenta-se e diminui de tamanho.

Eu enfadonho meu silêncio em busca de ti

Levado nas horas de um dia que desiste de acordar

E se esconde na tua mão.

 

Batem à porta do meu quarto esquecido dentro de teu corpo (que já me pertenceu)

Teu corpo despido, molhado, embriagado na minha presença,

- Porque me perseguem os teus olhos enraivecidos?

E sei que me vou perder nas tuas coxas de silício…

 

Que foram minhas.

Não tenho medo da tua luz existente no teu olhar

Que me condena, e sou condenado à prisão da saudade,

Desejos que penduro nos teus lábios imensuráveis

Numa viajem sem destino, num porto de abrigo fundeado

Na tempestade…

 

Abro as janelas do meu coração

Que dão acesso ao fundo do mar,

Mergulho até ficar cansado…

E com o corpo anestesiado no sofrimento

Da neblina das nove da manhã,

Adormeço nos teus sonhos.

 

 

 

Luís Fontinha

21 de Março de 2011

Alijó/Portugal

publicado por Francisco Luís Fontinha às 17:38

Na poesia

Teu corpo balança

Dança

Corre em demasia,

 

E nunca se cansa.

 

Na poesia

Teu olhar se passeia

Incendeia

E nunca se cansa,

Desde o anoitecer

Ao nascer do dia…

 

Teu olhar se passeia, na Primavera que está a nascer.

 

E nunca se cansa

Na poesia,

 

Porque neste dia,

Renasce a esperança,

 

Esperança de dizer bom dia,

Bom dia, poesia!

 

 

Luís Fontinha

21 de Março de 2011

Alijó/Portugal

publicado por Francisco Luís Fontinha às 17:35

Dentro de mim emerge a luz

Que dá vida às nuvens,

E da luz acorda a alvorada

Em silêncios adormecidos

 

Junto ao meu coração.

Na minha mão

Poisa a sombra da noite

Quando cansada de caminhar,

 

E junto ao cais

Um veleiro engasgado no vento

Olha-te como se fosse uma gaivota

Que dentro de mim

 

Tal como a luz…

Dá vida às nuvens.

 

 

Luís Fontinha

21 de Março de 2011

Alijó/Portugal

publicado por Francisco Luís Fontinha às 17:29

Eu sei que mar é este

Quando o sol nos olha do infinito entardecer

E no pensamento

Entra pela janela a paixão…

 

As ondas transformam-se em abraços

Em sorrisos trazidos pelo vento…

E de um beijo amanhecer

Este mar ancora os nossos corpos ao chão…

 

 

Luís Fontinha

Alijó/Portugal

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:32

Abraço-me à noite que vejo nascer

Entre sorrisos e distâncias indeterminadas,

Entre sonhos e veredas renascer

Das cinzas apagadas.

 

Abraço-me à tua sombra em Belém jardim

Que me viu sofrer, chorar…

Ai medo que se apoderou de mim

Quando eu corria para o mar…

 

Abraço-me. E num abraço meu

Vejo a noite caminhar,

E aos poucos, no infinito céu

 

A luz que na minha sombra vem adormecer,

Corro, corro sem parar,

Com medo de morrer!

 

 

 

Luís Fontinha

Alijó/Portugal

publicado por Francisco Luís Fontinha às 09:22

(À in-perfeita)

 

O rio vacila entre a montanha

Abraçado ao xisto nas encostas

Plantado,

O rio sorri-lhe quando da madrugada

Acordam as gaivotas

E ao longe o mar espera-o de olhar

 

Doce e meigo.

O rio transporta o desejo de ela acreditar

Que amanhã o sol vai nascer…

E o vento vai trazer o que no passado

 

O vento lhe levou,

Quando ela no fim de tarde

Adormeceu…

E esqueceu-se do pôr-do-sol.

 

 

Luís Fontinha

21 de Março de 2011

Alijó/Portugal

publicado por Francisco Luís Fontinha às 01:19

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