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Cachimbo de Água

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Por entre o fumo do meu cigarro

Francisco Luís Fontinha 7 Abr 11

O peso do meu corpo evapora-se por entre o fumo do meu cigarro, sinto-me aos poucos levitar por entre as águas de um velho com lágrimas, e no seu rosto poisa a minha mão, peço-lhe ajuda, e na calçada a minha sombra percorrendo as tasquinhas pedindo esmola, eu descalço, eu sem roupa vagueando junto ao Tejo, chamam-me do rio que desaparece ao fundo da calçada, na esquina o meu corpo transformado em vapor, suores numa madrugada de Agosto, o frio entra-me nos ossos e adormece os meus olhos, e perco a noção de beleza.

Odeio as flores.

Odeio o mar.

Odeio o rio que aos poucos me viu nascer e ainda hoje espera por mim junto à calçada.

Odeio as gaivotas e os livros e odeio a poesia e a literatura.

O peso do meu corpo evapora-se por entre o fumo do meu cigarro, sinto-me aos poucos levitar na mão de um mendigo, percorro as tasquinhas pedindo esmola, e da ajuda apenas me vem à lembrança os paralelos da calçada e um candeeiro na esquina junto ao museu dos coches.

Odeio as flores.

 

 

(texto de ficção)

FLRF

7 de Abril de 2011

Alijó

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