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Cachimbo de Água

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Arte

Francisco Luís Fontinha 17 Jun 18

A arte do ser,

Quando acorda na noite o prazer,

De ler,

E chovem estrelas de adormecer…

No teu corpo de sofrer.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 17 de Junho de 2018

Sonâmbulo das cavernas

Francisco Luís Fontinha 24 Mar 18

Esta melancolia, aprisionada na tua mão, meu amor,

Esta triste despedida,

Na calçada sofrida,

Quando o beijo esvoaça na fogueira prometida.

O sangue frio do massacre, lá longe, na sanzala, os perdidos cabelos de Primavera,

Quando a fala,

Quando o silêncio do teu sorriso,

Perde o juízo,

Sonâmbulo das cavernas, no limiar da pobreza,

A bela,

A bala na cabeça de um canhão,

E tu, meu amor,

E tu meu amor procurando a sombra do coração,

Desisto.

Insisto,

Desisto da tua fotografia esbranquiçada,

Na sala malvada,

Insisto no pôr-do-sol ao final da tarde,

Saio de casa,

Procuro-te no arrozal,

E finjo ser um poeta, e finjo ser a fogueira que arde…

Sobre ti, meu amor, sobre ti.

O miúdo com a fralda de fora,

Da praia regressa o secreto amor,

Aqui mora,

Habita a mais bela flor,

Que o meu quintal acolhe,

A sede,

O molhe,

As rochas envenenadas pela madrugada,

Sofre, descansa, abraço-te minha amada,

Que toda a vida teve.

Eu vi, quando acordei,

A esplanada do amanhecer,

Sabes, meu amor,

Chorei,

Cansei da vida sem prazer,

Respirar,

E morrer.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 24 de Março de 2018

A arte de sofrer

Francisco Luís Fontinha 12 Jun 17

Na arte de sofrer,

Quando dentro de mim arde um corpo esquelético, e sem o saber,

Ele ilumina a noite que se cansou de crescer,

 

Tenho nas raízes solares a vontade de partir…

Caminhar naquele rio absorvente

Que engole todos os corações,

Tenho nas mãos o sangue valente

Das marés e dos canhões…

Que me obrigam a sorrir,

 

Na arte de sofrer,

Deixo para ti o prazer…

O prazer de escrever,

 

No prazer de morrer.

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 12 de Junho de 2017

O triângulo da morte

Francisco Luís Fontinha 6 Dez 16

Todas as palavras voam sobre o mar,

Há-de haver uma gaivota em desejo

Nos vulcões suspensos do prazer,

O fingimento da madrugada

Quando a pobreza habita um corpo cansado de viver…

Há-de haver uma calçada

Nos meandros do beijo,

Uma palavra para escrever

Em cada olhar viciado na cobardia,

Em cada olhar disfarçado de lágrimas solares,

Em cada ensejo

Todas as palavras voam…

Todos os mares correm

E morrem,

Nos corredores em silêncio azulejo,

A cada dia,

Todas as palavras,

Morrem,

Morrem depois do amanhecer,

E na escuridão do ser,

E na mão do ter…

Resta esta árvore de sofrer.

 

 

Francisco Luís Fontinha

06/12/16

Os sonâmbulos

Francisco Luís Fontinha 6 Jun 16

Amanhã não estarei nos teus braços

Amanhã vou ser um sonâmbulo invisível

Passeando no jardim dos pecados

O meu corpo transformar-se-á em gaivota

Coisa pouca para os tempos que correm

Poderia ser um avião

Sem motor

Ou um barco sem quilha…

Com uma bandeira colorida

Amanhã não estarei nas tuas palavras

Que incendeias antes de eu acordar

O dia terminará com a minha ausência

E o destino adormecerá nas clarabóias do sofrimento

Levante-se o Réu…

E eu

Eu levanto-me dos teus braços

Escrevo o meu nome na parede da saudade…

E vou esperar pela sentença

Como um condenado ao prazer

Antes de adormecer…

 

Francisco Luís Fontinha

segunda-feira, 6 de Junho de 2016

mulher do meu saber

Francisco Luís Fontinha 11 Nov 15

sofrer

morrer na vaidade da vida

quando a vida é uma vaidade desmedida

sofrer

sonhar e sofrer

mergulhar o corpo na clandestinidade da saudade

vivida

sonhada

sofrida

sofrer e morrer

na vaidade da vida

quando o sonho pertence à saudade

ser

não sendo o ser perfeito

aquele que todos querem que eu seja

um tonto

um desnorteado

sem o saber

absorto

mergulhado no sofrer

sofrendo

não ser

a abelha amestrada do silêncio

a gaivota da solidão sobrevoando a montanha

não o tenho

o amor

e a paixão

de amar

e ser amado

pelos pássaros da madrugada

ao amanhecer

o prazer

de fundir o meu corpo no teu

um só

um corpo

dois destinos

e três maços de cigarros

amanhã

não sendo

sendo o dia da despedida

a carta sem remetente

à deriva

a diva

mulher do meu saber

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

quarta-feira, 11 de Novembro de 2015

Os pecados

Francisco Luís Fontinha 11 Abr 15

Não sei

Meu amor

Porque poisam em mim as estória de luz

Às vezes amo-te

Não desconheço se tu

És

Um livro, um poema, uma imagem ou um triciclo em madeira

Poderias ser o regressar ao ponto de partida

Luanda

Mil novecentos e sessenta e seis

Número três

Vila Alice

 

Os berros e os espirros dos automóveis pôr-do-sol

A naftalina do olhar

Na gaveta do sexo

Imagino o teu corpo

Meu amor

Um odor de palavras

Inseminadas por uma caneta de tinta permanente

Permanente

Eu

Aqui

Nesta

Vida de “merda”

 

Nunca

Meu amor

Quis

Nunca meu amor

Quis ser poeta

Sei que não o sou

Nem serei

E nem quero

A paixão da alma

Na fala desenhada

Pela mão do murmúrio

A aldeia em chamas

 

E os transeuntes

Entre estradas de gelo

E bermas de cansaço

Não

Meu amor

Não existem noites coloridas

Em sapatos em verniz

Bicudos

As calças embrulhadas nos tornozelos

E os ossos embalsamados

Alimentava-me dos teus lábios

Meu amor

 

Perdi

Tudo

A imagem da tridimensional alegria

Hoje

Sou

Um

Gajo

Triste

E tímido

Como as andorinhas da tua casa

Os torrões de açúcar dos melancólicos teus seios

Sou

 

Um

Gajo

Triste

E tímido

Hoje

As equações dormindo debaixo da cama

(o gajo está apaixonado)

Os palermas acreditando que

Amanhã

Um

Gajo

Tímido

 

Tão cinzento

Como a própria noite

Sem vaidade

Número de polícia

Ou

Ou cidade

As máquinas assassinam

O dormitório do prazer

A cama

Meu amor

Desfeita

Em aventuras de algodão

 

E

Não

Não pertenço aos teus símbolos de sombra

Deixei de ter janelas

E portas

A minha casa

Sem

Telhado

Sem

Meu amor

Não

Não esta triste cidade

 

Sem shots de tristeza

Ou

Sexo

Barato

Sabes

Meu amor?

A inveja é uma chávena de café-com-leite

E torradas

A neblina invade

Os

Teus olhos

A neblina invade os teus olhos

 

Entre cartas e telegramas

Mãe?

Sim

Meu amor

Fui

Assaltado

Stop

Envia

Dinheiro

Ok

Beijo

Não meu amor

 

Não sei a cor dos teus olhos

Nem da tua pele

Não

Não meu amor

Amanhã é sábado

E não sei se te amo…

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sábado, 11 de Abril de 2015

Gaivotas & Revoltas

Francisco Luís Fontinha 7 Dez 14

Oiço as tuas palavras mastigadas em prazer,

sinto o círculo das tuas coxas alicerçado ao centro geométrico do meu corpo,

somos apenas um ponto perdido no espaço...

traçamos parábolas na cintilante areia do Mussulo,

e há na tua pele de neblina adormecida... flores,

gaivotas,

revoltas,

palavras gritadas em vão...

e gemidos rochedos ao pôr-do-sol,

não habito em ti... mas há barcos nas nossas veias,

cansados de amar...

marinheiros sem pátria,

toda a gente nos apedreja com silêncios

e medos desgovernados,

somos um ponto em movimento,

temos coordenadas,

e... massa,

a luz que nos ilumina esconde-se entre a chuva miudinha do fim de tarde,

e toda a gente,

em delírio...

chicoteando as nossas sombras,

em pedaços de fotografias embriagadas pelo suicídio...

oiço as tuas palavras mastigadas em prazer,

nesta cidade em ruínas...

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Domingo, 7 de Dezembro de 2014

O cadáver da paixão

Francisco Luís Fontinha 28 Nov 14

Os teus olhos pincelados de verniz

camuflados no sombreado silêncio de uma ardósia

a tarde sem destino

e o menino...

embrulhado nas palavras adormecidas pelo giz

que só o luar consegue apagar

e destruir

o barco vai partir

sem conhecer a direcção...

ou... ou o cais para ancorar

e há uma corda suspensa nos lábios da solidão

que transcende o homem que deseja mergulhar no Oceano,

o desengano

do desassossego vestido de beijo enfeitiçado

a menina dança?

os teus olhos que só os pássaros percebem

o teu corpo de esferovite à deriva na planície das lágrimas incendiadas pelo areal...

um grito de revolta

alicerçado ao magnetismo esconderijo das geadas envenenadas

a embriaguez estonteante das madrugadas

quando o relógio de pulso se suicida num abraço de cartão canelado

e o homem responsável pelos teus olhos pincelados de verniz...

… morre lentamente na fogueira da paixão

como a perdiz

nas garras do amanhecer

e nesta vida de viver...

os teus olhos são cerejas de sofrer.

 

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2014

O Acrílico Corpo

Francisco Luís Fontinha 5 Ago 14

(À minha amiga Isa V.)

 

 

No acrílico corpo esconde-se a madrugada,

escrevê-lo parece impossível, acariciá-lo... o acrílico corpo voando nos meus braços de papel,

entre flores doiradas e alicerces de suor,

sentir na tua pele a humidade do silêncio,

entranhar-me em ti... eu a gaivota do amanhecer,

no acrílico corpo, as coxas montanhas recheadas de luares de incenso,

os rochedos do medo evaporando-se em pedaços de gemidos...

os cortinados da manhã esganiçados contra a janela do prazer,

e do teu acrílico corpo, uma maré de sílabas invadindo o teu sorriso,

escrevê-lo... parece impossível,

numa cama de luz o teu acrílico corpo nu...

esperando os meus desenhos vestidos de palavras!

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 5 de Agosto de 2014

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