Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

17
Set 11

Enquanto olhava os cachos de uva suspensos na videira e por momentos juro que vi rosas, botões de rosa, e de muitas cores,

 

Veio-me à memória que andei mais de vinte anos a fazer projetos para os outros, trabalhei em projetos de habitações, trabalhei em projetos de edifícios de vários andares, trabalhei em projetos de pontes e estradas, ensinaram-me a dimensionar vigas e pilares e lajes maciças e lajes aligeiradas e muros, e na faculdade aprendi a dimensionar um pavilhão metálico de 80 m x 40 m,

 

E por momentos as rosas sorriam-me São rosas, senhor, são rosas!,

 

E cheguei à conclusão que me esqueci de fazer o meu próprio projeto, hoje descobri que construi o edifício da minha vida ilegalmente, e hoje descobri que além de ser de muita fraca qualidade, é feia, é horrível, e estruturalmente pode ruir a qualquer momento,

 

Olhava os cachos e vias as rosas que me sorriam, e eu, eu também lhes sorria, e com muitas cores São rosas, senhor, são rosas!,

 

E antes que o edifício da minha vida acabe por ruir,

 

São rosas, senhor, são rosas,

 

Vou hoje mesmo começar a efetuar o projeto de arquitetura, depois o projeto de estruturas, águas e saneamento e eletricidade e telecomunicação e acústica e térmico…,

 

E foi preciso ir a Castedo do Douro e olhar as rosas que me sorriam numa videira São rosas, senhor, são rosas, para perceber que a minha vida era um edifício de muita fraca qualidade e horrível e clandestina…

 

São rosas, senhor, são rosas.

 

(texto de ficção ou não, eis a questão)

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:45

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