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Cachimbo de Água

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Quarto escuro

Francisco Luís Fontinha 18 Ago 12

Quarto escuro sem janela para o amor

quarta-feira

os cortinados da solidão vão para a lavandaria

e o néon suspenso no tecto adormeceu há três dias

escuro

provavelmente morreu de overdose

palavras murmuradas nas bocas locas de esperma

das putas em ziguezagues

que atravessam as ruas invisíveis da miséria

quarta-feira

 

o amor inventado nas janelas do quarto escuro

escuro

os meus olhos

quando acorda em mim o silêncio do orvalho

 

escuro

 

o meu coração sem flores

escuro

o meu coração acorrentado dentro do quarto escuro

e quarta-feira

eu

eu e os cortinados vamos para a lavandaria

eu

quarta-feira

deitado no quarto escuro à espera que cessem as sílabas no canelho

onde

onde dentro da noite se esconde a puta dos ziguezagues

escuro a quarta-feira dentro do quarto com cortinados de solidão...

 

(poema não revisto)

O nosso quarto

Francisco Luís Fontinha 27 Ago 11

 

Decididamente este é o nosso quarto, porque eu, eu o desejo, e tu, tu o queres, simples, muito simples, e nada de luxos, porque eu e tu não gostamos de luxos, porque eu e tu somos simples, e talvez neste quarto faltem alguns livros, e a janela, virada para o mar, e ao acordarmos damos conta que estamos num quarto de um qualquer romance de Milan Kundera,

 

Decididamente este é o nosso quarto, porque eu, eu o desejo, e tu, tu o queres, e ao acordar saímos em silêncio das páginas de um livro, descemos as escadas e abraçamos o mar…

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