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Cachimbo de Água

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Tristes Domingos sem literatura

Francisco Luís Fontinha 7 Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Tu persegues a escuridão vadia dos tristes Domingos sem literatura

há uma janela onde habita o quebra-corações

escrevem-se-lhe palavras no corpo difuso como música suave

vagueando sobre os móveis trôpegos sem asas

e ouvem-se as gaivotas

o piano

os barcos loucos quando entram casa adentro

e o sexo acontece antes de ancorarem ao cais do medo,

 

A menina sorri

e ao de leve

pega na chávena levando-a aos lábios de diamante onde poisam favos de mel

pétalas de rosa e alguns versos desajeitados

que nasceram da mão do quebra-corações

que nasceram numa tarde de Domingo

sujo e vagabundo

como as flores do teu jardim,

 

Sento-me sobre ti e esqueço-me da vida

do amanhã

oiço os sons teus em teus dedos que de um piano de infância brota

como fluidos dentro do vácuo

perdidos

apaixonados

como lâmpadas de silêncio procurando os teus beijos

que vivem nas tuas mãos com dedos longos e imaginários,

 

Tu

tu persegues a minha escuridão

retiras as sombras

e semeias sobre o meu corpo

fios de nylon embebidos em azevinho

tu

tu libertas-me da noite e fazes-me regressar à vida dos vivos

tu o teu piano e os teus dedos perdidamente esquecidos nos meus cabelos fazem de mim o quebra-corações sisudo e envelhecido...

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

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