Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

08
Abr 14

Percebo que as equações do meu corpo não têm resolução,

sou um aglomerado de números complexos, integrais duplas e triplas, habitam nos meus braços,

percebo que tenho um sorriso em granito, e sei que nas quadrículas do meu peito...

suspendem-se as infinitas cordas paralelas do nylon madrugada,

um imbecil programado, um corpo onde se misturam os algoritmos de Fortran e as raízes quadradas do obscuro olhar, sem sentido, único, proibido estacionar o meu corpo em cima do passeio da solidão,

cruzo os braços,

e pergunto-me...

o que faz o poema sem nome dentro do silêncio amanhecer?

sem prazer,

a vida é um fluído em escoamento permanente...

em direcção ao mar,

em construção... como corpos geométricos procurando amor nas flores triangulares...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Terça-feira, 8 de Março de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:40

26
Jan 13

Incompletas todas as manhãs da tua ausência

e sei que o teu perfume brinca no roseiral

esperando pacientemente que acorde um fio raio de sol,

 

Incompletas todas as lágrimas

recheadas com mel e madrugada

salgada,

 

Incompletas as tuas dóceis mãos de Primavera

que descem imaginariamente pelas ranhuras do meu corpo embaciado

pelas lanternas da inventada paixão,

 

Incompletas

as plantas e os pássaros e os lábios da noite vestida de insónia

incompletas as brincadeiras desenhadas numa ardósia

por duas crianças apaixonadas

e incompletas vaidades

entre as paredes cansadas

os livros coxos

mochos

castanheiros cavernais que as tardes construíam no bairro do hospital

chovia e o vento escrevia amor numa seara de trigo

chovia sempre que alguém invocava a dita palavra

que a húmida terra escondeu das incompletas manhãs da tua ausência,

 

Aglutinavam-se as incessantes veredas lilases dos pilares de orvalho

escrevia-se amor com o espeto de aço inoxidável

e enrolávamos o volante de borracha no pescoço saudável,

 

Libertos dos cigarros libertos das drogas libertos do álcool

percebíamos que as incompletas manhãs no roseiral

eram plumas viscosas dentro de uma jarra de zinco,

 

Os telhados verdejantes das malditas ressacas sem corações apaixonados

os velhos e os novos e os defuntos moribundos

dentro de quatro paredes

sentados no chão

a extraírem a raiz quadrada de 3 865 156.

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

publicado por Francisco Luís Fontinha às 00:16

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