Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

30
Abr 17

O desgostoso ancorado

Autómato desajeitado das tardes infelizes

O corpo fumado

Entre paredes de xisto e perdizes…

Da montanha de areia

Descendo pela veia

No braço do enforcado

O desgostoso

E desamado

Feitiço da madrugada

O corpo encostado

Aos pilares sombreados da falsa calçada…

E do rio vem a semiófora rebelião do desempregado

Malditos carneiros

Pastando na planície do amortecido emplastro desassossegado

A fotografia rima com preto-e-branco

Mais branco do que preto

Os olhos pintados de sonâmbulas bolhas de luar

O desgostoso

E desamado

Feiticeiro da noite

Volátil cansaço dos silêncios abandonados

Quando regressam os rochedos

Aos claustros fumados…

 

 

Francisco Luís Fontinha

Alijó, 30 de Abril de 2017

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:14

06
Ago 16

descem a ribeira

os olhos do teu prazer

trazem na mão a tristeza

e o mar a arder

sinto o palpitar do meu coração

numa simples gota de suor…

deitada nas sombras dos aciprestes

descem a ribeira

as montanhas desertas

cansadas de viver…

que este corpo desenhou

nas palavras de escrever

descem a ribeira

os trilhos pedestres

dos abutres desgovernados

tristes

apavorados…

pela solidão da tempestade.

 

Francisco Luís Fontinha

sábado, 6 de Agosto de 2016

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:02

01
Dez 15

Há no silêncio

Uma finíssima fresta de solidão

A forma geométrica do amor

Esquecida na ardósia de uma velha escola

Alguns beijos

Alguns sorrisos suspensos nos finais de tarde

Junto ao rio

Sem remetente,

 

O ausente complicado e perplexo corpo de espuma

Vagueando nas montanhas da paixão

Tenho dentro de mim uma ribeira

Com braços de saudade

Que nem o tempo consegue apagar

Que nem a tempestade sabe o seu verdadeiro significado

De tudo… e de amar

No silêncio a solidão.

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

terça-feira, 1 de Dezembro de 2015

publicado por Francisco Luís Fontinha às 22:49

02
Jul 14

Este Oceano que me alimenta,

este cansaço que me habita, e se afugenta,

este corpo que desenha um abraço na janela que levita,

estes lábios secos, trémulos... e desorientados,

estes poemas molhados,

que a tua mão aquece,

e merece,

a minha mão sentida, a minha mão sofrida,

este Oceano que me engole,

e come como se eu fosse uma bandeira,

ai, ai este corpo que não dorme,

este corpo esquecido nos cabelos de uma ribeira...

 

 

Francisco Luís Fontinha – Alijó

Quarta-feira, 2 de Julho de 2014

publicado por Francisco Luís Fontinha às 21:33

19
Ago 13

foto de: A&M ART and Photos

 

Éramos comestíveis como as ervas junto à ribeira

e tínhamos nas mãos o sabor do cansaço

e da dor oferecida pelo mendigo entardecer,

 

Éramos dois corpos voando sobre a cidade dos Deuses

ancorávamos algumas vezes

sobre as árvores em delírio que sobejavam das finas lareiras do desejo...

e sonhávamos com porcelanas beijos

que viviam na madrugada,

 

Éramos comestíveis como as ervas junto à ribeira

e tínhamos um coração de papel

onde escrevíamos as palavras em segredo,

 

Gritávamos como os pássaros

e amávamos como as ervas comestíveis...

éramos dois círculos de vidro

em osciladas rotações em cima dos barcos enferrujados

éramos e tínhamos um cais em madeira para aportarmos...

 

vivíamos construindo o amor com pequenos paus espalhados pela floresta

e quando nos sentávamos debaixo da nuvens cinzenta

sentia-te nos meus braços de sisal...

éramos o mar com a areia branca

e de ondas navegantes... e de lábios cor de amêndoa.

 

 

(não revisto)

@Francisco Luís Fontinha – Alijó

Segunda-feira, 19 de Agosto de 2013

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:31

08
Jan 13

Subiam a montanha em direcção ao sítio onde viviam as nuvens de prata, rastejavam dentro do silêncio com a ajuda de uma mão envelhecida, moribunda, recheada com algerozes e janelas com cortinados de papel, subiam, docemente, subiam a montanha conhecida como a velha montanha dos sonhos impossíveis de realizar, percebia-se no ar pesado a respiração dos cadáveres adormecidos pelos versos do poeta marreco, louco, porco, que habitava numa cabana junto a uma ribeira com braços de luz e pernas de vidro, à lareira, sentindo as imagens furiosas das pessoas enlatadas que deambulavam nas esquinas do orvalho, estava frio, muito, e os cães vadios procuravam em pequenos cardumes de prata as coisas boas da vida, tínhamos medo, não dormíamos porque das árvores, às vezes, desciam esqueletos com canetas de tinta permanente espetadas nos olhos, e na boca

Pequenos segredos de saliva com finos olhares que as ardósia escreviam nas planícies da insónia, não, não sabíamos que a montanha era invisível, não, não sabíamos que a ribeira e os esqueletos com canetas de tinta permanente espetadas

Nos olhos,

Eram fantasmas desenhados pelo poeta marreco, louco,

Nos olhos,

Subiam a montanha em direcção ao sítio, uma pequena fogueira de vaidade emergia sobre as rochas prateadas onde dormiam os cães vadios

Nos olhos

O louco poeta marreco,

Duas assoalhadas, um varanda com vista para os sonhos impossíveis de realizar, diziam-nos que para o anos as coisas iam melhorar, passavam os anos, passavam

E as coisas

Nos olhos,

Sempre iguais, sempre iguais, os cães procuravam as coisas boas da vida

E alguém gritava,

Nós gritávamos

Quais coisas?

Subiam a montanha em direcção ao sítio, uma pequena fogueira de vaidade emergia sobre as rochas prateadas onde dormiam os cães vadios

Nos olhos

O louco poeta marreco deitado de barriga para o céu, e descobriu, que

E as coisas,

O céu não existe, acreditávamos, subiam a montanha em direcção ao sítio onde viviam as nuvens de prata, rastejavam dentro do silêncio com a ajuda de uma mão envelhecida, moribunda, recheada com algerozes e janelas com cortinados de papel, subiam, docemente, subiam a montanha conhecida como a velha montanha dos sonhos impossíveis de realizar, percebia-se no ar pesado a respiração dos cadáveres adormecidos pelos versos do poeta marreco, louco, porco, que habitava numa cabana junto a uma ribeira com braços de luz e pernas de vidro, e no entanto

Tínhamos sonhos que acreditávamos serem possíveis de realizar, mas depois de subirmos a montanha invisível, depois de assistirmos as suicídio do poeta marreco e louco, depois de percebermos que os cães vadios, éramos nós,

A montanha desmoronou-se, desfez-se em pedaços de açúcar, e voou em direcção ao mar.



(texto de ficção não revisto)

@Francisco Luís Fontinha

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 13:09

02
Ago 12

Ao som inconstante das estrelas poisadas no céu inexistente e falso

em papel de tristeza

com cores de insónia

 

o som da tua voz

 

os teus livros e papeis e momentos junto à ribeira

o som da tua voz

escrita na sombra que alimenta as gargantas da neblina

com cores de insónia

a memória

da escrita sem palavras no desejo do teu corpo em delírio

demito-me de teu amante ausente

eu abaixo assinado juro solenemente pela minha honra acariciar o teu corpo de alface

com olhos de morango

e mamas de chocolate

o som da tua voz

em delírio

 

o teu corpo voa nos píncaros emagrecidos da loucura

ao desejo impugnado pelas mãos calejadas da lua

 

sirvo-me da sombra que serve para esconder Marroquinos

prostitutas vestidas de marinheiro

e capitães de areia

sem estandarte nem coragem de suicídio

e dou-me conta de o meu corpo são duzentos e seis ossos com óculos de sol

e ao peito

o crucifixo de infância que mais tarde deixei numa loja de penhores

para

para comprar heroína e papel de alumínio

para fumar quando passavam os barcos

regressados de ontem

com partida para amanhã

 

puxo de um cigarro

e sirvo-me da sombra que serve para esconder Marroquinos

prostitutas vestidas de marinheiro

e capitães de areia

para alimentar o meu vício de contar pássaros durante a noite.

publicado por Francisco Luís Fontinha às 23:02

02
Mai 11

Que algas são estas que se enrolam no meu corpo

Prendem-me os braços ao cansaço da noite

E na minha mão em desespero

Desenham silêncios ao amanhecer

 

Serei eu um rio

Ribeira perdida na montanha?

Que algas são estas que se enrolam no meu corpo

E não me deixam voar

 

Eu uma gaivota em morte lenta

Cortada em pedacinhos de tristeza

Que algas são estas

Que não me deixam caminhar

 

Que me proíbem de sonhar…

 

 

Luís Fontinha

2 de Maio de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 12:13

29
Abr 11

Os teus seios suspensos na montanha

Quando olham a ribeira

Entre o xisto pregado ao amanhecer

Em sorrisos feiticeira

 

E dos segundos emerge a manhã

Que se apoderam do teu corpo adormecido

Das tuas mãos o desejo de princesa

Nas tuas mãos o silêncio prometido

 

Os teus seios suspensos na montanha

Que os meus olhos acariciam alegremente

Correm as gaivotas junto ao mar

E junto ao mar dormem como gente…

 

 

Luís Fontinha

29 de Abril de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 10:24

21
Abr 11

Entranhas-te neste corpo desossado

Vento que sopra do mar

Entranhas-te em mim

Lágrimas de silêncio amarrotado

Neste corpo em movimento

Neste esqueleto cansado…

À espera de zarpar

Nas sombras do teu corpo eu me deitar

 

Eu adormecer sem sofrimento

Entranhas-te neste corpo desossado

Pendurado numa oliveira

Junto ao mar deitado

 

Junto à ribeira

Eu com uma rosa brincar

Neste corpo desossado

Neste corpo na fogueira.

 

 

FLRF

21 de Abril de 2011

Alijó

publicado por Francisco Luís Fontinha às 19:00

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