Blog de Luís Fontinha. Nasceu em Luanda a 23/01/1966 e reside em Alijó - Portugal desde Setembro de 1971. Desenhador de construção civil, estudou Eng. Mecânica na ESTiG. Escreve, pinta, apaixonado por livros e cachimbos...

21
Jan 12

Meu querido Luiz Pacheco,

Quando me referi que o meu pedido de rendimento social de inserção foi indeferido, por lapso, não te disse que apenas foram necessários três dias para o indeferimento,

- Três dias Pá? Foda-se os gajos em Vila Rela trabalham bem,

E que a minha inscrição no Centro de Emprego é uma treta,

- Emigra Pá,

Como vês meu querido Literalmente estou fodido, desempregado e sem subsídio algum, e apetece-me perguntar-te o que tens a dizer às novas gerações mas quase que adivinho a tua resposta,

- Puta que os pariu,

Nem mais meu querido Puta que os pariu.

 

Um abraço,

Francisco

publicado por Francisco Luís Fontinha às 11:44

23
Ago 11

A humilhação, o coração salta-me do peito e em pulinhos palmilha cada milímetro quadrado do teto da Segurança Social,

 

A vida é uma roda

Que gira e gira e gira

E não se cansa de girar

Uns dias ficamos no fundo

Outros dias, outros dias estamos no ar,

 

O meu corpo começa a encolher-se na cadeira e extingue-se na janela das traseiras, poiso os braços sobre a secretária, e eles, eles balançam como as árvores quando o vento em fúria tomba os barcos que atravessam o rio, tenho frio, e começo a transpirar, a humilhação, a humilhação de mendigar, e pedir o Rendimento Social de Inserção, e leio nos olhos dos que me olham Mais um chulo!,

 

A vida é uma roda

Que gira e gira e gira

E não se cansa de girar

Uns dias ficamos no fundo

Outros dias, outros dias estamos no ar,

 

E eu pensava, E agora?, quem me vai ajudar a colocar o meu coração novamente no peito, e eu olhava o teto, e ele saltava, saltava, e ninguém, ninguém ao meu lado para lhe deitar a mão, e descobri, descobri que às vezes precisamos de correr, e correr, e eu, e eu deixei-o pular e pular, até que quando se cansou regressou, desceu do teto, e em passos de anjo entra-me no peito, e voltou a palpitar,

 

A vida é uma roda

Que gira e gira e gira

E não se cansa de girar

Uns dias ficamos no fundo

Outros dias, outros dias estamos no ar,

 

E mesmo que digam que a loucura entrou dentro de mim, eu acredito, eu acredito que o céu voltará a ser azul, que o mar voltará a ter ondas e espuma e maré, e que sobre mim vão voltar a voar as gaivotas, e os barcos, os barcos vão voltar ao estuário da minha vida, e os pássaros voltarão a poisar na minha janela e a acordar-me todas as manhãs, como há muito tempo atrás…

publicado por Francisco Luís Fontinha às 16:30

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